Câmara de Lisboa pede ajuda a comerciantes para dissuadir carteiristas

Há "um conjunto de problemas" identificados na Baixa, nomeadamente a venda da 'pseudo droga' e os carteiristas.

A Câmara de Lisboa está a realizar um projeto de policiamento comunitário na Baixa-Chiado, para o qual quer a ajuda dos comerciantes, de forma a dissuadir carteiristas e outros criminosos, disse hoje o vereador da Segurança do município.

"O que estamos a desenvolver é um trabalho direcionado aos turistas", para promover a sua segurança no centro da cidade, e isso "implica, desde logo, a melhoria da oferta de segurança para residentes e para quem aqui trabalha", afirmou o vereador da Segurança e Proteção Civil da Câmara de Lisboa, Carlos Manuel Castro, à agência Lusa.

O autarca enumerou que está identificado "um conjunto de problemas [na Baixa-Chiado], nomeadamente a venda da 'pseudo droga', que não é droga mas tentam passar por droga, e os carteiristas", o que se pretende inverter com uma segurança "dissuasora desta criminalidade".

Até ao momento, já cerca de 30 comerciantes aderiram ao projeto "Atentos à rua", funcionando como mediadores que alertam as autoridades quando alguém lhes pede ajuda ou quando veem alguma ocorrência.

É o caso de José Carlos Gomes, responsável pela loja "Paris em Lisboa", que explicou à Lusa ter aderido a esta iniciativa para melhorar a segurança da zona e espera que outros comerciantes o façam.

"Os clientes que hoje visitam o Chiado são fundamentalmente estrangeiros e, portanto, temos todo o interesse que eles se sintam bem e em segurança", justificou.

Apesar de frisar que "não há problemas graves" na zona, admitiu que nos casos "em que há roubos, agressões e outro tipo de perturbações que incomodam os visitantes", os lojistas podem ajudar.

Já Adelino Oliveira, pai do gerente do café Nicola do Rossio, contou à Lusa que "já houve problemas na esplanada" daquele estabelecimento, como o furto de malas.

"Depois, temos de comunicar e chamar a polícia. Assim é mais fácil, está mais acessível", adiantou Adelino Oliveira.

Segundo o vereador Carlos Manuel Castro, "não é pedido às pessoas e aos comerciantes que façam o papel de polícia, mas que contribuam diretamente para o aumento da segurança urbana".

Quando recebem o alerta, os agentes da Polícia Municipal dirigem-se ao local, mas quando a situação implica investigação criminal, essa atuação já compete à Polícia de Segurança Pública (PSP), que também está envolvida na iniciativa.

Entre os parceiros do projeto estão também a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, a Associação de Turismo de Lisboa e a Administração do Porto de Lisboa, a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina e a Associação de Valorização do Chiado.

O modelo de policiamento comunitário já está implementado noutras áreas da cidade, nomeadamente na Ameixoeira-Galinheiras, Mouraria, Alta de Lisboa, Alvalade e Baixa-Chiado, sendo que os problemas diferem consoante cada zona.

O número de detenções de carteiristas que atuavam junto de turistas na área de Lisboa aumentou 200 por cento em 2014, ano em que a PSP registou um acréscimo de 54,39% no crime de furto.

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