Câmara de Lisboa contrata filho de João Soares

Autarquia diz que a contratação "é completamente alheia" ao facto de Mário ser filho do ministro da Cultura

É licenciado em História, tem 30 anos, experiências profissionais administrativas e vai organizar eventos e apoiar gestão cultural.

Mário Barroso Soares, 30 anos, foi contratado em 2005 (aos 19 anos) como "assistente administrativo" na Câmara Municipal da Amadora (de maioria socialista). Esteve ali até 2009, segundo o seu perfil na rede social LinkedIn, divulgado esta terça-feira pelo jornal Público.

Depois disso, em 2010, esteve "um ano e um mês" como "Senior Documentation Specialist" na produtora Cinepalco; em 2012, trabalhou no secretariado da Fundação Gulbenkian em Paris "menos de um ano"; esteve de julho a setembro de 2013 como "Documentation Specialist" na Sociedade dos Amigos da Cinemateca, em São Paulo (Brasil), e em 2014 voltou a trabalhar "menos de um ano" como "Executive assistant" numa produtora de vídeo francesa da região de Paris, a TV Only International. Desde janeiro de 2015 até hoje é também "Executive assistant" na sociedade de advogados AMA.

É este o currículo do licenciado em História que foi agora contratado, segundo o Público - que cita o contrato divulgado pelo site Má Despesa Pública - para "serviços de assessoria em produção de eventos e gestão cultural" no gabinete da nova vereadora de Educação da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Albergaria (que substituiu Graça Fonseca, que foi para o Governo do PS). Pormenor que o seu currículo não revela: o jovem é filho de João Soares, atual ministro da Cultura, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

A autarquia justificou a "especial aptidão técnica e intelectual, bem como experiência profissional" do avençado, respondendo ao jornal Público através do seu Departamento de Comunicação que Mário Barroso Soares "quer a área de formação, licenciatura e mestrado em História, quer a experiência profissional, ao nível da produção de eventos e gestão cultural, para entidades como o Centro Ciência Viva da Amadora, empresas de produção audiovisual em Portugal e França, a Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e a Cinemateca Brasileira, justificam plenamente a opção da vereadora".

A Câmara de Lisboa disse ao Público que a decisão de contratar este avençado "é completamente alheia" ao facto de ele ser filho do ministro da Cultura. Segundo o contrato divulgado no Portal Base, o jovem receberá 2800 mensais, mas no primeiro mês o salário é de 4200 euros, porque o "acumulado de processos que requererá a execução do dobro de horas nesse mês" o justifica, segundo argumenta a autarquia. O contrato não diz o número de horas semanais, ou mensais, de trabalho a que Mário Barroso Soares está obrigado.

O ministro da Cultura já reagiu à notícia na sua página pessoal do Facebook. Dizendo-se "feliz como pai", João Soares quer "deixar claro" que não teve "a menor interferência nesse processo de contratação". E acrescenta: "Quando escrevo a menor, quero dizer nenhuma. Os meus filhos não devem ter, por esse facto, nem têm!, nenhuma espécie de privilégios. Mas também não podem, por esse facto, ser prejudicados."

Soares remata dizendo ser "um homem sério", que sempre exerceu "de forma desapegada de interesses materiais, no plano pessoal, as funções públicas" que desempenhou e desempenha.

[notícia atualizada às 12.45 com a reação de João Soares]

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