Bloco "não acompanha" documento mas mantém confiança no Governo

Catarina Martins diz que o facto do Bloco ser contra a apresentação do documento não afeta a estabilidade do governo, que não precisa de "voto de confiança"

Não é o Programa de Estabilidade (PE) que vai trazer problemas ao acordo de maioria parlamentar. À saída do encontro com o Presidente da Republica, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, diz que não é a favor do PE, nem deste nem de nenhum, pois o documento "é enquadrado no semestre europeu e o Bloco de Esquerda contesta a existência do semestre europeu".

O Bloco de Esquerda desvaloriza assim ser contra o documento, já que não tem a ver com a forma escolhida pelo PS, mas sim porque "é uma divergência conhecida e de sempre". Catarina Martins diz mesmo que o Programa de Estabilidade (tal como Programa Nacional de Reformas) não precisa de ir a votos, pois estes documentos só são votados "quando os governos acham que necessitam de um voto de confiança e existe um acordo de maioria parlamentar muito claro que está a ser cumprido." Para a líder bloquista "é difícil um Programa de Estabilidade, seja ele qual for, acompanhar o que defendemos".

Os bloquistas acreditam que a existência de Programa de Estabilidade é mau, mas que o atual é bastante melhor que o do anterior governo. "Relativamente ao último Programa de Estabilidade que o país apresentou em Bruxelas, de PSD e CDS, este não tem cortes de 600 milhões nas pensões nem nos rendimentos", lembrou Catarina Martins.

Catarina Martins é clara quanto à solidez do acordo que suporta o governo, pois "enquanto o governo estiver a promover a recuperação de rendimentos" pode contar com o Bloco de Esquerda. Ainda assim, explica que estes "não são documentos que o Bloco acompanha porque não acompanha a lógica do semestre europeu", instrumento que "só serve para fazer chantagem e provocar austeridade" nos Estados-membros.

O Bloco dispensa prestar contas a Bruxelas e desvaloriza as metas apertadas do Programa de Estabilidade. "O BE não discute metas porque nunca ninguém cumpre as metas, nem os governos, nem a Comissão Europeia, nem FMI".

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