Bloco ataca PCP por causa de herbicida: "Sectarismo faz mal à saúde"

Nelson Peralta, dirigente do BE, critica comunistas por terem votado ao lado de PSD e CDS contra a proposta que visava banir a utilização do glifosato

O PCP votou esta quarta-feira contra a proposta do Bloco de Esquerda (BE) para banir a aplicação de produtos que contenham glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação mas os bloquistas já reagiram. E com estrondo. Num artigo publicado no esquerda.net, Nelson Peralta, dirigente do BE, critica o partido liderado por Jerónimo de Sousa e atira, logo no título: "Glifosato: o sectarismo faz mal à saúde".

Peralta, que integra a Mesa Nacional do BE, o órgão máximo entre convenções, salienta que "a surpresa" na votação que ditou o chumbo do projeto "veio do PCP" e recorda que há um mês, quando outro diploma do Bloco sobre aquela matéria foi a votos na Assembleia da República, os comunistas se abstiveram. E sustenta: "A 15 de abril foi votada a proposta do Bloco de proibir totalmente a utilização de glifosato, em espaço público e na agricultura. O PCP absteve-se. Agora, perante uma proposta mais limitada (apenas a proibição no espaço público), o PCP votou contra."

"O que mudou?", questiona Nelson Peralta de forma retórica, tratando logo de responder: "Agora o seu voto fazia a diferença. Há um mês, na proposta mais ampla, o voto do PCP não era decisivo. Hoje, teria bastado o PCP repetir a abstenção para viabilizar o projeto-lei, uma vez que o PS anunciou o seu voto favorável. Quando o seu voto poderia mudar a vida das pessoas, o PCP optou por deixar à União Europeia a decisão que podia ser tomada em Portugal."

Isto porque, assinala o dirigente do BE, a União Europeia decide esta quinta-feira sobre a renovação da licença de glifosato, que terminará a 30 de junho, e "a expectativa é baixa sobre a proteção da saúde pública". Mas Peralta vai mais longe ao realçar que nas Assembleias Legislativas Regionais dos Açores e da Madeira o PCP apresentou propostas para a proibição total do glifosato, que "a Câmara Municipal de Évora, presidida pelo PCP, anunciou que já deixou de usar" o herbicida e que em várias assembleias municipais do país os comunistas se têm oposto à utilização do glifosato.

Daí, a conclusão de Peralta: "O PCP não chumbou o projeto-lei porque a ideia era má. A proposta era má porque vinha do Bloco. É caso para dizer que o sectarismo faz mal à saúde."

Recorde-se que os comunistas votaram ao lado do PSD e do CDS, o que ditou a reprovação do articulado do BE, apesar da luz verde do PS, PEV e PAN.

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