Berkeley desmente Barreiras Duarte e UAL vai determinar se tem de voltar às aulas

Polémica em torno do currículo do secretário-geral do PSD continua. Além do desmentido da instituição norte-americana, a Universidade Autónoma de Lisboa vai tentar perceber se o alegado cargo foi essencial para a dispensa das aulas

A Universidade da Califórnia, em Berkeley, desmentiu esta terça-feira o comunicado de Feliciano Barreiras Duarte, secretário-geral do PSD, afirmando que o documento apresentado "não prova" que o social-democrata tenha sido professor convidado na instituição.

Ao jornal Sol, a instituição comentou o caso, afirmando que Barreiras Duarte "nunca foi" professor convidado e que o documento apresentado "não prova o contrário". Além disso, a universidade explica que "não emite documentos em nenhuma língua" além do inglês, e que o texto presente no mesmo documento é "atípico" relativamente aos outros convites feitos a investigadores.

"Independentemente de Deolinda Adão ter ou não assinado realmente esse documento, Feliciano Barreiras Duarte nunca foi um investigador aqui e essa carta não pode ser usada para provar o contrário", afirmou ao mesmo jornal o gabinete de relações públicas da universidade californiana, confirmando ainda que Deolinda Adão "não escreveu esse documento, apesar de a assinatura eletrónica aparente ser dela".

Universidade Autónoma de Lisboa vai verificar situação

O estatuto de visiting scholar em Berkeley foi um dos elementos de currículo que Feliciano Barreiras Duarte apresentou para a dispensa das aulas do doutoramento em que está inscrito na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL). Agora, a reitoria da UAL irá pedir ao Conselho Científico para verificar a situação e esclarecer se esse elemento foi essencial para a dispensa das aulas.

A notícia foi pelo Observador, que cita Reginaldo Rodrigues de Almeida, administrador da UAL: "Se o Conselho Científico verificar que o estatuto foi fundamental para dispensar a frequência da parte escolar do doutoramento, o aluno será convidado a frequentar as aulas". E, se tal não acontecer, terá "de abandonar o doutoramento", no qual está inscrito desde 2015.

O caso nasceu no sábado, quando o Sol noticiou que o secretário-geral do PSD retificou o seu currículo académico para retirar o item que o indicava como professor convidado em Berkeley. A questão já chegou, entretanto, à Procuradoria-Geral da República, que vai abrir um inquérito.

Reginaldo Rodrigues de Almeida diz ainda que além do doutoramento, Feliciano Barreiras Duarte "apresentou como elemento do currículo o facto de ser visiting scholar em Berkeley" para o mestrado. A informação não foi verificada, mas foi tida como verdadeira, visto que o social-democrata "apresentou um parecer que tinha pedido à Comissão de Ética da Assembleia da República".

Sendo que o mestrado não está em risco, o doutoramento apresenta uma situação diferente, visto que a comissão científica irá ser questionada sobre o alegado estatuto e se este foi "relevante" para Barreiras Duarte ter sido dispensado das aulas. "Se for, terá de voltar a fazer a parte letiva, sob pena de continuar", disse ainda ao Observador o administrador da UAL.

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