Benfica pede que Vale e Azevedo seja julgado

O Benfica, constituído assistente no julgamento de Vale e Azevedo, pediu ao Ministério Público (MP) que o antigo presidente do clube seja julgado por peculato de mais quatro milhões de euros, na 3.ª Vara Criminal de Lisboa.

Vale e Azevedo optou por não estar presente neste julgamento, alegando que não pode ser julgado por factos anteriores ao processo de extradição de Londres para Portugal, e a sua advogada, Luísa Cruz, já anunciou que impugnará o acórdão deste processo que envolve o Benfica.

Em requerimento a que a agência Lusa teve acesso, o mandatário do Benfica, José Marchueta, pede que o MP proceda à "solicitação do consentimento da autoridade judiciária do Reino Unido", que decidiu a extradição de Vale e Azevedo, para que o antigo presidente não possa usufruir da faculdade da lei para não ser julgado.

José António Marchueta pretende "que fique prevenida e coberta a hipótese de sobrevir a condenação" de Vale e Azevedo, no julgamento de apropriação de mais de quatro milhões de euros do Benfica.

O advogado considerou ainda não existirem fundamentos para o requerimento de Vale e Azevedo para anulação do julgamento, e o coletivo de juízes comunicará, na próxima terça-feira, se rejeita ou aceita.

Presidente do Benfica de 1997 a 2000, João Vale e Azevedo está a ser julgado também por branqueamento de capitais e falsificação de documento neste processo, em que é acusado de se apropriar de verbas resultantes de futebolistas, algumas das quais para pagamento de tranches do iate que adquiriu na altura, o "Lucky Me".

Depois de mais de quatro anos e quatro meses em Londres, com passaporte confiscado, proibido de sair do Reino Unido e obrigado a pernoitar na residência na capital inglesa, Vale e Azevedo foi extraditado para Portugal a 12 de novembro, no âmbito do cúmulo jurídico fixado em cinco anos e meio.

Preso no Estabelecimento Prisional da Carregueira (Sintra), Vale e Azevedo, condenado nos processos Euroárea/Ovchinnikov, Ribafria e Dantas da Cunha, aguarda que o Tribunal de Execução de Penas se pronuncie sobre pedido de liberdade condicional.

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