Bebedeiras desviam INEM das verdadeiras emergências

O DN acompanhou a equipa de emergência do INEM da madrugada que dá apoio às zonas de diversão noturna de Lisboa. Seis pessoas foram de maca para o hospital e cinco beberam de mais.

A diversão noturna começa ao cair da noite mas é na madrugada que se pagam os efeitos de quem abusou do álcool e/ou de outros consumos.

02.40 de domingo. Toca o telefone dos técnicos do INEM. Mensagem: masculino, 32 anos, intoxicação etílica, freguesia da Encarnação. Tradução: Bairro Alto, bebedeira. A ambulância sai da base, no centro clínico da GNR nas Janelas Verdes, acelera, sirene ligada e não para nos vermelhos. Trava e quase para ao entrar no emaranhado de ruas do Bairro. Entupidas por gente de copos na mão que parece pensar que é mais rápida do que um carro. "Não há respeito, temos de chegar o mais rápido possível. Desviem-se lá", grita pela janela o condutor. Para junto a um corpo estendido no chão, que não se levanta sem ajuda.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.