Bebé de 18 meses desaparecido. "Está tudo em aberto", diz PJ

Um bebé de ano e meio desapareceu cerca das 20:00 de terça-feira da casa dos pais em Serzedelo, Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga

Um rapaz de ano e meio está desaparecido desde a noite de terça-feira de casa dos pais em Serzedelo, Póvoa de Lanhoso. As buscas foram retomadas esta manhã, já com o auxílio de equipas cinotécnicas, depois de terem sido interrompidas às 4:00, embora se tenha mantido efetivo policial no local durante toda a noite.

"Estamos no terreno, ainda não paramos", afirmou à agência Lusa o coordenador da Polícia Judiciária de Braga, Gil Carvalho.

A criança, de nome Iuri, estava a brincar no exterior da habitação com o pai e as duas irmãs, os quais se deslocaram momentaneamente ao interior da casa. Terá sido nesse momento que o bebé desapareceu, segundo explicou aos jornalistas, ainda durante a noite, o comandante dos Bombeiros de Póvoa de Lanhoso.

Já esta manhã, o mesmo responsável, António Veloso, indicou que as buscas decorriam na mesma zona de ontem e afirmou que a esperança era "encontrar a criança viva e entregá-la aos pais". "A esta hora deve estar com fome, temos expectativas de ouvir um choro a qualquer momento", acrescentou.

"A criança tem 18 meses, achamos que não teria andado muito", disse ainda, confirmando que Iuri ainda tem dificuldades de locomoção, visto ter começado a andar há relativamente pouco tempo.

Além dos bombeiros, também a GNR efetuaram ainda ontem buscas para encontrar a criança. "Estamos a alargar o perímetro de segurança. Estava a 500 metros, vamos alargar para um quilómetro", explicou o mesmo responsável, dando conta das dificuldades do terreno: casas desabitadas, campos agrícolas, poças de água para regadio, além da falta de iluminação durante a noite.

A criança não tinha ainda jantado e vestia roupa fresca, adequada ao tempo quente que se faz sentir durante o dia.

A investigação abrange todos os cenários, desde rapto a crime, passando pela possibilidade de a criança ter desaparecido pelo próprio pé, embora a família não acredite que isso possa ter acontecido.

Ainda durante a noite, segundo avança o Jornal de Notícias, o pai, a mãe e um amigo da família foram transportados para o posto da GNR da Póvoa de Lanhoso, tendo a habitação sido selada. A família estaria sinalizada pela segurança social de Braga.

O Correio da Manhã avança que o pai do bebé foi levado pela Polícia Judiciária durante a madrugada, tendo sido ouvido durante cerca de três horas.

O coordenador da PJ de Braga confirmou que o pai assim como "outras pessoas" estão a ser ouvidas, mas não adiantou qualquer hipótese para o que possa ter acontecido.

"Está tudo em aberto, estamos no terreno e não vamos desistir", frisou.

Em declarações à agência Lusa, uma fonte do Comando Operacional das Operações de Socorro (CDOS) de Braga adiantou que o alerta para o desaparecimento do menino foi dado às 22:00 de terça-feira, tendo sido iniciadas buscas em redor da aldeia de Serzedelo, mas que foram posteriormente suspensas.

Nas buscas estiveram envolvidos quase três dezenas de bombeiros da Póvoa de Lanhoso, GNR e Polícia Judiciária.

Em outubro do ano passado, num caso semelhante, um rapaz de dois anos desapareceu de casa dos avós, em Ourém. Foi encontrado na manhã do dia seguinte, numa zona de mato, a cerca de dois quilómetros de distância.

(Notícia atualizada às 10:15 com declarações do comandante dos bombeiros)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.