BE critica estágios a 120 euros na Universidade de Aveiro

O Bloco de Esquerda afirmou hoje que a Universidade de Aveiro (UA) está a "promover a exploração" ao anunciar estágios remunerados a 120 euros mensais, tendo aquela instituição esclarecido serem curriculares e para estudantes.

O Bloco de Esquerda anunciou hoje ter pedido a intervenção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, face à divulgação, pelo Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais da Universidade de Aveiro, de "um anúncio para dois estágios na área de Design Gráfico e Comunicação, onde se oferece uma remuneração mensal de 120 euros".

Para aquele partido, "é inconcebível um gabinete de uma Universidade pública estar a divulgar tais anúncios" que considera promover "a precariedade e exploração", sendo a remuneração de 120 euros por um estágio um insulto a qualquer bacharel ou recém-licenciado".

Confrontada com a "denúncia" do Bloco de Esquerda, a Reitoria da Universidade de Aveiro enviou à Lusa um esclarecimento, em que considera haver uma "interpretação errónea" daquele partido, por se tratar de estágios curriculares, destinados a estudantes, em que não é exigível qualquer retribuição.

"Esclarecemos que o caso específico agora referido pelo Bloco de Esquerda se trata de um Estágio Curricular e, portanto, do ponto de vista legal, para o qual nem é exigível haver lugar a remuneração mensal. Daí a indicação no anúncio em causa se requerer como requisito mínimo o de 'estudante'", indica.

A reitoria acrescenta que "em todo o caso, a entidade proponente optou por também selecionar no formulário do anúncio outras possibilidades (como aquela de licenciado), não se devendo depreender de tal que, na livre opção que lhe assiste em recrutar num nível superior ao de 'estudante', a remuneração será aquela anunciada para o nível inferior", elucida a Reitoria.

Para evitar que o anúncio seja mal interpretado "já foi limitado à habilitação de "Estudante / Finalista", acrescenta.

"A Universidade de Aveiro possui uma política de escrupuloso respeito pelos direitos laborais e, além de tal, advoga a melhoria contínua das condições de trabalho. Tal tem reflexos internos, na UA, e é ainda transposto, como exemplo, para com aqueles que se relacionam com a UA", sublinha.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.