BE contra criação do cargo de ministro europeu das Finanças

O presidente da Comissão Europeia defendeu hoje, em Estrasburgo, a fusão dos postos de comissário europeu dos Assuntos Económicos e de presidente do Eurogrupo, para que a Europa passe a ter "um ministro europeu da Economia e Finanças".

O Bloco de Esquerda (BE) manifestou-se hoje contra a criação do cargo de ministro europeu da Economia e Finanças, colando essa proposta com as políticas de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, cujos mandatos não trouxeram "nada de bom".

Para a coordenadora do BE, Catarina Martins, um ministro europeu que tutelasse essas pastas seria certamente um alemão, "tendo em conta o desenho institucional da União Europeia (UE)",

E "Portugal já conheceu o que é ter um ministro da Economia e das Finanças da UE", prosseguiu, aludindo ao executivo recente PSD/CDS-PP que teve Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque como titulares das Finanças.

"Tivemos essa experiência com Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, não me lembro que tenha sido nada bom para o país. Acho que não é uma ideia que devamos acompanhar", vincou a líder do Bloco, falando no Monte da Caparica, Almada, à margem de uma visita à escola secundária da localidade.

O presidente da Comissão Europeia defendeu hoje, em Estrasburgo, a fusão dos postos de comissário europeu dos Assuntos Económicos e de presidente do Eurogrupo, para que a Europa passe a ter "um ministro europeu da Economia e Finanças".

Dirigindo-se ao Parlamento Europeu por ocasião do seu discurso sobre o Estado da União, Jean-Claude Juncker disse que uma das suas prioridades é "uma união económica e monetária mais forte", e, nesse contexto, manifestou-se favorável à criação de um fundo monetário europeu, de uma linha orçamental específica para a zona euro e à figura do "ministro da Economia e das Finanças".

"Precisamos de um ministro europeu da Economia e Finanças, alguém que acompanhe as reformas estruturais nos nossos Estados-membros. Ele pode apoiar-se no trabalho levado a cabo pela Comissão desde 2015, no quadro do seu serviço de apoio à reforma estrutural", apontou.

Segundo o presidente do executivo comunitário, "este ministro europeu da Economia e Finanças deveria coordenar o conjunto dos instrumentos financeiros da UE quando um Estado-membro entra em recessão ou é atingido por uma crise que ameace a sua economia".

"Não sou pela criação de uma nova função. Por razões de eficácia, defendo que esta tarefa seja confiada ao comissário europeu responsável pela Economia e Finanças -- idealmente vice-presidente da Comissão -- e presidente do Eurogrupo", esclareceu.

Atualmente, o francês Pierre Moscovici é o comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros - enquanto o vice-presidente Valdis Dombrovskis tem a seu cargo a pasta do Euro -, enquanto o fórum de ministros das Finanças da zona euro, o Eurogrupo, é presidido pelo holandês Jeroen Dijsselbloem, que termina o seu mandato em janeiro de 2018.

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