BE aprova Marisa Matias como candidata a Belém

Os 79 membros da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda escolhem hoje o nome da eurodeputada bloquista para a corrida a Belém

Marisa Matias é confirmada hoje como candidata presidencial bloquista e vai ser a terceira figura a entrar na corrida para Belém saída das fileiras do Bloco de Esquerda, que em 2011 apoiou o histórico Manuel Alegre juntamente com o PS e o PCTP/MRPP.

A eurodeputada viu o seu nome ser recomendado pela comissão política do BE - em que estão representadas as várias tendências bloquistas - na segunda-feira, cabendo agora à Mesa Nacional discutir, apreciar e votar a escolha, soube o DN junto de fontes partidárias.

Marisa Matias escusou-se ontem a falar ao DN sobre o assunto, explicando que só estará disponível para falar depois de tomada a decisão pela Mesa Nacional. Uma das questões reside em saber se a sua candidatura é para ir até ao fim ou apenas para consolidar o terreno conquistado nas recentes eleições legislativas de 4 de outubro, em que o Bloco obteve 10,19% dos votos e elegeu 19 deputados.

O BE também se escusou a falar do assunto, com fonte oficial a responder ao DN que "o Bloco não faz qualquer comentário sobre as presidenciais até domingo".

Única candidata do Bloco eleita para o Parlamento Europeu, Marisa Matias toca vários instrumentos em Bruxelas e Estrasburgo: é vice-presidente da comissão sobre as decisões fiscais antecipadas e outras medidas de natureza ou efeitos similares (fraude e evasão fiscais), coordenadora do grupo parlamentar na comissão de assuntos económicos e monetários, presidente da delegação do PE para as relações com os países do Maxereque ( Jordânia, Líbano, Síria, Egito). Integra ainda as comissões de indústria, investigação e energia enquanto membro suplente.

"São áreas que exigem muita dedicação" e são "todas desafiantes. Não consigo escolher uma porque todas são centrais na vida dos cidadãos europeus", disse Marisa Matias ao DN, em maio passado.

Candidatos com tradição

A eurodeputada, natural de Coimbra, 39 anos, é ainda vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia, em que se integra o BE e que forma o grupo parlamentar GUE/NGL juntamente com a Esquerda Nórdica Verdes.

Na década e meia de existência do BE, nascido em 1999 da junção entre o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI, Fernando Rosas - um dos fundadores com Francisco Louçã e Miguel Portas - foi o primeiro candidato presidencial do partido.

Tal sucedeu nas eleições presidenciais de 2001, em que o historiador ficou em quarto lugar com 3% (correspondentes a 129 840 votos).

Cinco anos depois, em que Cavaco Silva foi eleito Presidente da República, o BE apresentou outro fundador - Francisco Louçã - como candidato. O economista ficou em quinto lugar, com 5,32% (292 198 votos). Além de Cavaco, o economista ficou atrás dos socialistas Manuel Alegre e Mário Soares, bem como do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Em 2011, Manuel Alegre perdeu para Cavaco Silva, tendo obtido 19,76% (832 637 votos).

Para o atual ciclo eleitoral, o BE era visto como apoiante do ex-líder sindical Carvalho da Silva, cuja candidatura acabou por não se confirmar. Mas o resultado das legislativas e a existência de candidatos na área do PS - Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém - e do PCP, Edgar Costa, justificaram a opção de avançar com um nome próprio.