Barquinhos de papel alertam para problemas do serviço fluvial

Utentes reivindicam melhores condições e a reposição do serviço fluvial em condições e qualidade

As comissões de utentes do Montijo e do Cais do Seixalinho distribuem hoje barquinhos de papel no Cais do Sodré, em Lisboa, alertando para os problemas do transporte fluvial, que dizem ser afetado todos os dias.

"A questão dos barquinhos de papel tem a ver com o facto de estarmos a viver numa constante incerteza de haver ou não barco cada vez que se vai apanhar o transporte. É uma sátira, temos um pequeno comunicado, mas que vai ser entregue dobrado num 'origami' barco de papel", disse à Lusa Nuno Catarino, representante dos utentes do Montijo.

Nuno Catarino explicou também que se pretende com a iniciativa angariar assinaturas para o abaixo-assinado que a Comissão de Utentes do Montijo e do Cais do Seixalinho está a levar a cabo na defesa de um transporte fluvial com qualidade, eficiente e seguro na região de Lisboa.

"Estamos a levar a cabo um abaixo-assinado com o objetivo de entregar na Assembleia da República, reivindicando melhores condições e a reposição do serviço fluvial em condições e qualidade. O objetivo era as quatro mil assinaturas, o que permite que o plenário discuta o assunto. Já ultrapassámos esse número, mas vamos continuar até janeiro para conseguirmos o maior número possível", frisou.

Nuno Catarino alertou ainda para o facto de o conselho de administração da Transtejo/Soflusa ter admitido que a situação das travessias do rio Tejo será pior em janeiro, "porque há certificados de navegabilidade de embarcações que estão a funcionar que vão caducar ou porque outras vão estar em manutenção", não havendo barcos suficientes para garantir os horários previstos.

"Há uma situação muito estranha. O conselho de administração admite que a situação será má em janeiro, quando nós, neste momento, já estamos em situação em que quase diariamente há supressão de carreiras, não há embarcações suficientes. Eles dizem que em janeiro será pior porque há um conjunto de situações que vão fazer com que isso aconteça", afirmou.

No final da iniciativa, explicou, as comissões de utentes vão entregar uma prenda simbólica -- um barquinho de papel -- ao conselho de administração da Transtejo/Soflusa para reforçar a frota da empresa.

"Obviamente é uma sátira. Mas quando eles assumem que em janeiro não vai estar bom para nós é inadmissível, mais ainda quando estão anunciados aumentos de 2% nos transportes", acrescentou.

Os utentes das embarcações da Transtejo e Soflusa continuam a verificar atrasos, suprimentos de carreiras e de horários. Há passageiros que não embarcam porque se fecham as portas antes do tempo previsto por lotação esgotada.

A Soflusa faz a ligação entre o Barreiro e Lisboa, enquanto a Transtejo é a empresa responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão à capital.

A Lusa solicitou um esclarecimento à Transtejo/Soflusa, mas ainda não obteve resposta.

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