Bandeira dos exames é a primeira a cair

A esquerda aprovou a abolição das provas finais do quarto ano. Bloco e PCP avisam que querem alargar medida ao sexto e ao nono. Direita fala em regresso do facilitismo

PCP e Bloco de Esquerda tinham prometido fazer da extinção das provas finais do quarto ano uma das prioridades da nova legislatura e no primeiro dia do Governo PS, cumpriram a promessa. A esquerda acabou com uma das "bandeiras" do ex-ministro da Educação Nuno Crato, no primeiro dia do Governo liderado por António Costa.

Joana Mortágua apresentou a extinção das provas como uma "necessidade urgente" do país, lembrando que o fim dos antigos exames da quarta classe foi "uma das primeiras exigências do 25 de Abril", que o ex-ministro decidiu reverter quase 40 anos depois - em 2013 - "contra todas as recomendações e exemplos internacionais".

Pelo PCP, Virgínia Pereira considerou também não existir nenhum indicador que "ateste uma melhoria dos resultados" dos alunos em função das provas, defendendo, pelo contrário, que o que o regresso das provas do quarto ano conseguiu foi criar "um primeiro momento de seleção dos alunos", transformando as crianças em "cavalos de corrida" e o processo educativo destas num "treino" para essas corridas que "em nada as beneficia".

PSD e CDS-PP associaram a extinção das provas a um "regresso a tempos de facilitismo", defendendo a deputada do CDS Ana Rita Bessa que as provas - que tinham um peso de 30% na avaliação final dos alunos às disciplinas de Português e de Matemática - eram "um instrumento aferidor e regulador", que "tinha como objetivo a qualidade do ensino".

Nilza de Sena, do PSD, aproveitou o tema para retomar as críticas ao PS pela forma como chegou ao poder, defendendo que, tal como não deu a vitória nas eleições ao PS, no que toca à educação, "o povo escolheu a exigência, não escolheu o facilitismo".

Nilza de Sena recorreu ainda a dados do relatório O Estado da Educação, do Conselho Nacional de Educação, para defender que as provas não tiveram impacto nas taxas de conclusão do quarto ano, levando Joana Mortágua a recordar que, no mesmo documento, se verifica um aumento das retenções no terceiro ano - o que antecede a realização das provas -, um fenómeno que tem sido associado a uma possível seleção dos alunos, nas escolas, de forma a assegurar bons resultados nas médias dos exames.

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