Banca, euro e dívida: os três constrangimentos do país, diz PCP

Estas segunda e terça-feiras deputados comunistas estão em Coimbra. Na agenda, os setores produtivos, o emprego e a soberania.

Quando hoje, pelas 12.00, o secretário-geral comunista abrir em Coimbra mais umas jornadas parlamentares do PCP, não se antecipa que Jerónimo de Sousa se desvie um milímetro do discurso do seu partido, apesar de no Parlamento a bancada comunista manter o seu apoio ao Governo socialista. Em causa estarão temas que se cruzam sobre "a produção, o emprego, a soberania e a libertação de Portugal da submissão ao euro" e onde o PCP insiste em contrariar o que o PS vai defendendo e fazendo.

Antecipando as jornadas, que se realizam hoje e amanhã, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, sublinhou "a dificuldade que o país tem de responder aos seus problemas e assegurar o seu desenvolvimento, sem enfrentar" uma trindade de constrangimentos: a banca, o euro e a dívida. É este cruzamento que trava o desenvolvimento de Portugal, como sintetizou João Oliveira: "Aquilo que tem que ver com a dívida e o peso da dívida e as limitações que a dívida impõe sucessivamente nos orçamentos do Estado; aquilo que tem que ver com as imposições que decorrem das regras do euro e do quadro da União Económica e Monetária; e os constrangimentos que, em setores estratégicos, continuamos a enfrentar por via do controlo desses setores estratégicos pelo capital monopolista", explicou, "constituem um espartilho, do qual o país não se libertando dificilmente conseguirá assegurar o seu desenvolvimento".

A novidade no discurso, que já não é novo nesta legislatura, é a ausência do Governo como alvo imediato de crítica - o PCP prefere pôr o acento tónico nas amarras a que está preso o país, "por via da União Europeia e da zona euro". "Dificilmente conseguiremos fazer uma política económica diferente se não tivermos os meios que hoje são canalizados para o pagamento da dívida, dificilmente conseguiremos responder a problemas económicos concretos se continuarmos amarrados às imposições" que chegam de Bruxelas, sinalizou o líder parlamentar aos jornalistas.

O que estará ausente destas jornadas, assegurou Oliveira, é a campanha para as eleições autárquicas. "A batalha autárquica deixamos para cada um dos 308 municípios do país", afirmou, justificando que não é este o espaço para o PCP fazer campanha. Mas amanhã os deputados farão de autocarro o trajeto Lousã-Coimbra a lembrar o fim da linha de comboio e o pesadelo que vivem os cidadãos dos concelhos que deixaram de ter este serviço.

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