Marques Mendes: se Passos ficar, vai ser "um inferno"

"Não me surpreenderia que saia de cena para que o partido faça uma reflexão", disse Marques Mendes sobre o atual líder do PSD

"Terramoto eleitoral". Foi assim que Luís Marques Mendes descreveu esta noite na SIC os resultados eleitorais do PSD nas eleições autárquicas, em especial em Lisboa e Porto. Para o antigo líder social-democrata, aquela que "provavelmente será a pior derrota autárquica da história do PSD" pode levar Pedro Passos Coelho a decidir sair de cena nos próximos dias. Se Passos Coelho quiser continuar à frente do partido, "a vida dele vai ser um inferno completo" e "vai ter dificuldade, numas diretas, de se manter na liderança", acrescentou.

"Não me surpreenderia que saia de cena para que o partido faça uma reflexão". Marques Mendes coloca ainda o PCP na zona dos derrotados, isto porque "já está confirmada a perda de cinco autarquias comunistas no Alentejo - Moura, Castro Verde, Barrancos e Alandroal [a que se junta Grândola e Constância, no distrito de Santarém] -, não se sabendo se é compensada por conquistas de outras câmaras. Se não for, é um problema", avisa o comentador da SIC, que antevê problemas para a coligação das esquerdas no Parlamento decorrente do "desconforto comunista". "O próximo Orçamento de Estado nunca estaria em causa, mas a médio prazo a solidez da coligação pode sair abalada". Uma situação que deixa o PCP numa encruzilhada, porque se quiser causar uma crise política, pode ver o PS sair reforçado numas legislativas antecipadas.

Quanto aos grandes vencedores da noite, além do bom resultado do PS - "é uma grande vitória de António Costa, a dinâmica nacional de Costa foi muito importante" -; Marques Mendes destaca a "corajosa e máquina de campanha" Assunção Cristas, "Com este resultado histórico em Lisboa, consolidou a sua liderança, nunca mais se dirá que o partido está órfão de Portas, e sai reforçada para negociar coligações com o PSD". Sendo que, no caso de Lisboa, passa a ter legitimidade para liderar futuras coligações com os sociais-democratas.

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