CDU quer travar expulsão de moradores de Lisboa devido à especulação imobiliária

João Ferreira afirmou que a Câmara de Lisboa tem mecanismos para contrariar os efeitos negativos da lei das rendas, mas a opção da atual gestão municipal tem sido "acentuar esses efeitos negativos"

O candidato da CDU à Câmara de Lisboa, João Ferreira, defendeu esta segunda-feira a necessidade de contrariar os efeitos negativos da lei das rendas do anterior Governo PSD/CDS-PP, nomeadamente a expulsão dos moradores da cidade devido à especulação imobiliária.

Em visita ao bairro da Mouraria, onde foi confrontado com preocupações de moradores e de comerciantes relativamente à política de arrendamento, João Ferreira afirmou que a Câmara de Lisboa tem mecanismos para contrariar os efeitos negativos da lei das rendas, mas a opção da atual gestão municipal de maioria PS tem sido "acentuar esses efeitos negativos".

"São alienados imóveis municipais em condições extremamente favoráveis para os promotores imobiliários, sem qualquer condicionante quanto à utilização futura desses imóveis, uma grande parte deles veio a dar lugar a novos 'hostéis', novos hotéis, novos edifícios integralmente dedicados a alojamento local", criticou o candidato da CDU, em declarações aos jornalistas.

Nas ruas estreitas da Mouraria, o comerciante Rui Pedro, que nasceu há 46 anos neste bairro de Lisboa, reclama ser o único lojista português na zona, aproveitando para elogiar a candidatura de João Ferreira.

"Se calhar, vai ser o último voto que vai ter meu", afirmou o comerciante, explicando que o proprietário do prédio onde tem a loja e onde reside quer expulsá-lo com o argumento de fazer obras profundas.

Situação idêntica enfrenta Patrícia Santos, que vive com o marido e dois filhos no bairro e que já sabe que a Câmara autorizou a instalação de um 'hostel' no seu prédio.

"Qualquer dia não há ninguém aqui a morar", disse a moradora, manifestando-se preocupada com a necessidade de encontrar uma nova casa para viver na zona, de forma a continuar perto do trabalho e da escola dos filhos.

Na perspetiva de João Ferreira, a expulsão de moradores e de comerciantes tem provocado "uma recomposição social profunda e muita agressiva da cidade".

"O turismo tem que ser compatibilizado com um conjunto de outras funções fundamentais da vida da cidade, com a habitação, com o comércio local, e é isso que não está a acontecer porque a Câmara se demitiu de uma função reguladora que lhe cabe e que é imprescindível que exerça", advogou o candidato da CDU, defendendo ainda a revogação da lei das rendas.

Nas eleições de 01 de outubro concorrem em Lisboa Assunção Cristas (CDS-PP/MPT/PPM), João Ferreira (CDU), Ricardo Robles (BE), Teresa Leal Coelho (PSD), o atual presidente, Fernando Medina (PS), Inês Sousa Real (PAN), Joana Amaral Dias (Nós, Cidadãos!), Carlos Teixeira (PDR/JPP), António Arruda (PURP), José Pinto-Coelho (PNR), Amândio Madaleno (PTP) e Luís Júdice (PCTP-MRPP).

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