BE exige revogação de acordo entre Câmara do Porto e Selminho

"Apelo aos restantes candidatos que se juntem a nós nessa exigência de revogação imediata por decisão politica e afirmação de transparência e justiça", afirmou o candidato do BE à Câmara do Porto

O candidato do BE à Câmara do Porto exigiu esta segunda-feira a revogação do acordo entre a autarquia e a Selminho, empresa do presidente do município, o independente Rui Moreira, desafiando as outras candidaturas a reivindicar a mesma "decisão política".

"Exigimos que seja revogado o acordo extrajudicial feito com a família de Rui Moreira, que prevê a construção de 12 mil metros quadrados ou uma indemnização [para a Selminho]. Apelo aos restantes candidatos que se juntem a nós nessa exigência de revogação imediata por decisão política e afirmação de transparência e justiça", disse João Teixeira Lopes.

O bloquista acusou o autarca, que se recandidata como independente, de recorrer ao insulto "soez e irritado" contra o BE, ao acusar o partido de "favorecer os traficantes", e assegurou que o Bloco combate "todo o tipo de tráfico", incluindo "o de terrenos e de influências", que a autarquia "tem promovido".

"O escritório do advogado que serviu a Selminho e a família de Moreira foi contratado por ajuste direto para serviços na Câmara do Porto", denunciou também.

"Rui Moreira, que não sabe reagir às críticas e não tem capacidade democrática de diálogo, acusa o BE de favorecer os traficantes do Porto, descendo a um nível de baixaria que jamais imaginaria. O BE é único partido que tem uma proposta que seria uma machadada no tráfico desta cidade: as salas de consumo assistido", acrescentou.

O candidato do BE referia-se à afirmação, feita pelo candidato independente ao jornal Observador, de que "o Bloco entende que os traficantes podem continuar a traficar livremente".

Para o bloquista, as afirmações de Moreira "são uma resposta ao facto de o BE ter "posições muito sólidas sobre o caso Selminho", designadamente porque apresentou no tribunal administrativo um processo "a pedir a nulidade do acordo".

"É isso que deve acontecer quando se faz uma promessa de alteração do Plano Diretor Municipal [PDM] sem ouvir o executivo ou a Assembleia Municipal", descreveu Teixeira Lopes.

A Câmara do Porto assinou em 2014 um acordo extrajudicial com a Selminho em que ou devolve a capacidade construtiva ao terreno da empresa na Calçada da Arrábida, no âmbito da revisão do PDM em curso, ou será criado um tribunal arbitral para definir um eventual direito a indemnização à empresa.

São candidatos à Câmara do Porto nas eleições autárquicas de 01 de outubro o independente Rui Moreira, apoiado pelo CDS-PP e MPT, Manuel Pizarro (PS), Álvaro Almeida (coligação PSD/PPM), Ilda Figueiredo (CDU), João Teixeira Lopes (BE), Bebiana Cunha (PAN), Costa Pereira (PTP), Sandra Martins (PNR), e Orlando Cruz (PPV/CDC).

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