Autarquia, PS e PCP contra fecho da Urgência

Autarquia, PS e PCP de Oliveira de Azeméis opõem-se ao estudo do Governo que recomenda o fecho da Urgência do Hospital de S. Miguel, defendendo que ignora a realidade regional e propõe o caos para o S. Sebastião, na Feira.

Hermínio Loureiro é o presidente da Câmara Municipal e declarou à Lusa: "Discordamos completamente do estudo. É um estudo técnico, no qual, infelizmente, as autarquias locais não foram envolvidas. E como qualquer estudo técnico, tem naturalmente falhas, erros e omissões".

Uma das críticas apontada ao documento é o facto de que "a urgência do Hospital de Oliveira de Azeméis não serve só os utentes desse concelho". O autarca realça que esse serviço recebe pessoas de Ovar, Estarreja, Albergaria-a-Velha e ainda as de Vale de Cambra, Arouca e S. João da Madeira, pelo que, "a colocar-se em cima da mesa o encerramento de Oliveira de Azeméis, a situação da Urgência do Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, tornava-se completamente caótica".

Revelando que a Câmara já solicitou reuniões sobre o tema com a Administração Regional de Saúde, o Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (que tutela o S. Sebastião), o Ministério da Saúde e a Associação Nacional de Municípios Portugueses, Hermínio Loureiro adianta: "O Município de Oliveira de Azeméis confia no bom senso político que irá decidir sobre a matéria em apreço. As urgências de Oliveira de Azeméis foram requalificadas há quatro anos e contaram com um grande investimento. Os pressupostos que conduziram à requalificação da urgência e à criação de um serviço de urgência básica não foram alterados".

Em comunicado, a concelhia do PS adota uma perspetiva idêntica: "Não se compreende quais os critérios que determinam o encerramento da urgência hospitalar em Oliveira de Azeméis, a não ser o completo desconhecimento da realidade e uma mera lógica de poupança imediata - mesmo que com graves prejuízos para a saúde dos oliveirenses - ou então um absoluto desprezo pelas populações e uma deriva política no que concerne ao processo de decisão".

Recordando que "o concelho de Oliveira de Azeméis era apontado como o local estratégico para a construção de um novo hospital na região de Entre Douro e Vouga", projeto esse que chegou a ser "alvo de despacho por parte do anterior Governo", os socialistas questionam "como se explica que, apenas por se ter mudado a governação, as conclusões sejam agora tão diferentes".

"Das duas, uma", avança o PS. "Ou a informação que esteve na base do atual estudo não é rigorosa, porque desconhece a nossa realidade e o avultado investimento efetuado na requalificação do serviço de urgências, (...) ou então estamos em presença de uma abordagem experimentalista - que merece o nosso total repúdio - de promoção de determinados autarcas locais, cujos concelhos, inicialmente incluídos no rol dos afetados, deixariam de o estar".

Para a concelhia do PCP, "é fundamental que, como em tantas outras localidades, a população venha para a rua defender um direito que é seu, pois é a saúde que lhe está a ser tirada".

Em comunicado, os comunistas criticam "a senda persecutória" do Governo contra o Serviço Nacional de Saúde e repudiam o eventual encerramento da Urgência do S. Miguel na medida em que isso significará que "as populações e os mais desfavorecidos" ficarão sem um serviço "de proximidade e qualidade, inaugurado em 2008 com pompa e mediatismo político".

"Primeiro, foi o encerramento da Maternidade, depois da Pediatria e outras valências que tão bons serviços prestaram à população", refere o PCP, que nessa lista de estruturas perdidas inclui ainda as extensões de saúde de Palmaz, Travanca e S. Martinho da Gândara. "Vamos assistindo ao esvaziamento de serviços, valências, médicos, enfermeiros e pessoal administrativo, e agora somos confrontados com esta medida".

Os comunistas recomendam "determinação e confiança" para "travar esta brutal ofensiva" e concluem: "Exige-se que qualquer Governo cumpra as suas obrigações constitucionais na defesa justa e humana das populações no acesso à Saúde, com um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde, universal, geral e gratuito".

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