Associação quer proibir consumo de álcool em garrafa nas ruas

Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas defende "prolongamento da restrição" aplicada aos copos de vidro, para minimizar o fenómeno do 'botellón'.

O secretário-geral da Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE) defendeu hoje a proibição de consumo de bebidas alcoólicas engarrafadas na rua e a utilização de copos de plástico para minimizar este fenómeno no centro de Lisboa.

"Não devia ser permitido o consumo na rua de garrafas", tanto de plástico como de vidro, disse hoje Mário Moniz Barreto, acrescentando que esta medida devia ser um "prolongamento da restrição" aplicada aos copos de vidro, para minimizar o fenómeno do 'botellón' (termo espanhol usado para descrever a ingestão de grandes quantidades de álcool na via pública, sobretudo entre os mais jovens).

Em Lisboa, este fenómeno verifica-se essencialmente no Cais do Sodré, em Santos, na Bica e no Bairro Alto.

Moradores destas zonas históricas entregaram, no final de outubro, uma petição na Assembleia Municipal de Lisboa com 624 assinaturas, exigindo ainda restrições no ruído e nos horários dos estabelecimentos noturnos.

A Câmara de Lisboa criou, também no mês passado, um despacho com restrições horárias a aplicar aos bares do Cais do Sodré, Santos e Bica, que se encontra em consulta pública até 19 de novembro.

O objetivo é "harmonizar os horários destas zonas e do Bairro Alto" e também compatibilizar a diversão e o descanso dos moradores, disse na altura o vereador das Estruturas de Proximidade, Duarte Cordeiro.

O secretário-geral da ANEBE, que falava aos jornalistas num encontro realizado hoje em Lisboa, revelou que a associação agendou uma reunião com Duarte Cordeiro para debater a questão e, quando o encontro ocorrer, vai sugerir que se adotem apenas copos de plástico.

Apesar de admitir que "não há soluções mágicas", a medida pode evitar, a seu ver, "o consumo na rua de grande volume", não só em Lisboa como em todo o país.

"Acho que nunca vamos eliminar o consumo na rua, mas podemos possibilitar que interfira menos com os vizinhos e com a cidade", frisou Mário Moniz Barreto.

O responsável sugeriu também uma maior sensibilização, não só dos proprietários dos bares como também dos clientes.

Além disso, referiu que "a Câmara [de Lisboa] tem de procurar ajustar os espaços através da requalificação" dos estabelecimentos, com um "aumento da área útil", numa alusão aos espaços reduzidos dos bares destas zonas históricas, o que também leva a que as pessoas vão para a rua beber.

Segundo o representante, o fenómeno do 'botellón' teve origem na crise e no aumento da carga fiscal aplicada às bebidas espirituosas, já que muitas vezes os clientes compram bebidas alcoólicas mais acessíveis, às quais juntam refrigerantes ou bebidas energéticas. O aumento de impostos, acrescentou, foi na ordem dos 22% em três anos.

No próximo ano, o Governo pretende aumentar a taxa de imposto aplicável a estas bebidas em 2,9%, passando dos atuais 1.251,72 euros por hectolitro para os 1.289,27 euros por hectolitro, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado.

"Podia ser mais [facilmente] combatido no dia em que a carga fiscal não continuasse a crescer", adiantou.

Os participantes nestes encontros de consumo são de todas as faixas etárias e classes socioeconómicas, sendo uma questão "transversal", concluiu Mário Moniz Barreto.

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