Associação de Oficiais dá força institucional a texto incendiário de militar comando

Carta do tenente-coronel Tinoco de Faria contra punições de instrutores no curso em que morreram dois jovens agita as redes sociais

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) divulgou esta segunda-feira o texto em que um oficial dos Comandos se insurge contra a responsabilização disciplinar e criminal dos instrutores do curso em que morreram dois jovens.

"Com todo o respeito pelos nossos putos que morreram na instrução e pelas suas famílias e a sua dor, não deviam ser os militares dos comandos punidos" pelo que ocorreu no início do 127.º curso de Comandos, em setembro passado, escreveu o tenente-coronel Tinoco de Faria (na reforma), num texto a que chamou "Manifesto anti-general" e foi originalmente publicado na sua página de Facebook.

A grande repercussão que o texto tem tido nas redes sociais - usando termos que militares ouvidos pelo DN consideram insultuosos e desprezam as provas na base das punições disciplinares - ganhou outra dimensão com a sua republicação pela AOFA, reconheceu ao DN o seu presidente, tenente-coronel António Mota.

"Tenho consciência que o peso institucional da AOFA fica associado ao texto", disse António Mota, assinalando que a publicação foi acompanhada por uma nota a referir que o teor do manifesto "é da responsabilidade do autor".

"Concordo que dá relevo e credibilidade ao tenente-coronel comando", adiantou António Mota, contextualizando essa opção com a prática de divulgar textos escritos por militares "independentemente de se concordar ou não" com o seu teor.

Tinoco de Faria invoca mesmo a memória do pai "morto em combate" na guerra colonial, dizendo que também ele se envergonharia dos governantes e das chefias militares por causa da abertura dos inquéritos aos instrutores e das subsequentes decisões disciplinares tomadas.

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