Costa convoca Assis para Comissão Política Nacional

Assis aceitou o convite mas mantém o encontro de sexta-feira na Mealhada, depois de ter desmarcado o almoço de sábado

Uma hora depois de anunciar o encontro de sexta-feira, na Mealhada, Francisco Assis foi convocado para estar presente, domingo, na Comissão Política Nacional do PS. O DN apurou, que Assis irá estar presente, mas não desiste do "encontro" da corrente alternativa.

A corrente alternativa à direção do PS agendou para amanhã o encontro que estava marcado para o almoço de sábado, na Mealhada.

O movimento, que tem até ao momento 400 inscritos, considerou que fazia sentido manter a iniciativa, que Assis fora obrigado a cancelar por "coincidência" de horários: António Costa convocou para sábado a Comissão Nacional do PS - orgão máximo do partido entre congressos e que reúne cerca de 300 dirigentes socialistas.

Apesar de Francisco Assis não desempenhar qualquer lugar nos órgãos nacionais do PS na sequência do último congresso deste partido, a direção liderada por António Costa decidiu alargar aos seus eurodeputados a participação na Comissão Política do PS.

Evidentemente que estarei presente

A reunião foi remarcada para esta sexta-feira, às 21.30, na Mealhada, na Quinta dos Três Pinheiros. E desta vez é um "encontro" - não há jantar.

De acordo com membros desta tendência do PS que se opõe à formação de um Governo de frente de esquerda, "estando cerca de quatro centenas de militantes já inscritos para o almoço de sábado", entretanto cancelado, importava aproveitar este movimento e a solução foi antecipar em um dia o encontro.

Se o PS fizer um acordo à esquerda com vista a formar governo renuncia à sua dimensão de partido transformador e reformista

Por outro lado, considerou-se essencial haver uma reunião deste grupo, que defende que o PS deverá assumir-se como oposição responsável a um executivo PSD/CDS, para definir a posição a tomar nas reuniões da Comissão Nacional de sábado e da Comissão Política de domingo.

"As questões a colocar são essencialmente sobre as condições em que o PS pretende formar Governo depois de ter perdido as eleições e se vale a pena o PS ser Governo por um ano para depois passar dez anos na oposição", referiu um ex-membro das direções lideradas por António José Seguro.

Costa 'desmarca' almoço de Assis

Ao marcar uma reunião da Comissão Nacional do PS - órgão máximo entre congressos - para sábado, às 15.30, em Lisboa, António Costa forçou Francisco Assis a cancelar o almoço que tinha convocado para um restaurante da Mealhada e que seria o primeiro passo na formação de uma corrente interna no PS contra os entendimentos à esquerda que têm vindo a ser negociados pela direção do partido.

Em declarações à Lusa, Álvaro Beleza, um dos principais apoiantes de Assis, diz que o facto de a direção do PS ter escolhido agendar a Comissão Nacional do PS para o mesmo dia do almoço da Mealhada revela apenas algum "nervosismo" e "velhos tiques de receio de debate interno". Mesmo assim, Álvaro Beleza irá, "por responsabilidade", às reuniões para que foi convocado: não só a de sábado mas também a de domingo à noite (Comissão Política Nacional, um órgão entre o Secretariado Nacional e a Comissão Nacional).

À tarde, Francisco Assis emitiu um comunicado a confirmar o adiamento do almoço da Mealhada. Contudo, recusou fazer comentários para os agendamentos da direção do PS que motivaram esse adiamento. "Só assim ficam devidamente acautelados os superiores interesses do Partido Socialista, cuja salvaguarda tem de prevalecer sobre todas as divergências que internamente nos separem", escreveu o atual eurodeputado.

Esclarecendo depois que a desmarcação do almoço representa apenas um adiamento, Assis garantia também que não irá travar na sua intenção de concentrar em torno de si todos os que dentro do PS contestam a possibilidade de António Costa fazer um acordo de governação com comunistas, bloquistas e ecologistas.

Insistirão os mais fanáticos defensores de uma frente de esquerda que há vantagens em ignorar todas as divergências, por mais profundas que sejam, em nome da possibilidade do afastamento da direita do poder

O eurodeputado socialista tem defendido que ignorar todas as divergências que separam o PS do PCP e BE para afastar a direita do Governo configura uma "despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder".

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