"Os incidentes estão a crescer quer em frequência, quer em agressividade"

Paulo Neto Leite, CEO na Groundforce vai juntar-se aos sindicatos e pedir uma audiência ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para pedir reforço policial

Como tem acompanhado os casos de agressões aos vossos funcionários?
Acompanho com preocupação dado que têm vindo a crescer. Estamos muito preocupados com o elevado nível de irregularidades que é um incentivador desta situação. Estamos a exigir a quem tem que garantir a segurança dos locais que o faça de forma eficaz. Se, por razões várias, a irregularidade tem vindo a aumentar, deve aumentar também a segurança a quem presta serviço nessas áreas. São pessoas que trabalham de forma extremamente profissional, com uma enorme dedicação e que têm que ter a garantia que estão a realizar o seu trabalho (mesmo em casos de irregularidades) de forma segura.

Sente que está a haver um crescendo nestes incidentes?
A nossa preocupação reside precisamente no fato de os incidentes estarem a crescer, quer em frequência quer em agressividade.

A que causas atribuem estas situações?
Os aeroportos estão a operar perto do seu limite e com um aumento da irregularidade, o que origina situações de insatisfação dos passageiros. Não assistimos ao aumento dos meios de segurança de forma proporcional. Adicionalmente, assistimos hoje em dia a um sentimento de impunidade para estes comportamentos bárbaros de alguns passageiros.

Como estão a sentir-se os funcionários, principalmente os que prestam serviço nos postos onde se têm registados mais agressões?
Como é natural, os trabalhadores estão a sentir-se incomodados e ameaçados. Ninguém pode deixar de ter como dado adquirido a sua segurança no local de trabalho. Hoje em dia assistimos a um sentimento de insegurança, agravado pela impunidade, uma vez que, não se tratando de crime público e as companhias aéreas permitirem - na sua maioria - que após o incidente o agressor viaje, dificilmente este ato terá consequências.

Esta tensão no aeroporto tem a ver também com o facto do aeroporto estar praticamente esgotado em termos de capacidade para gerir tantos passageiros?
Terá a ver com isso, mas também com o aumento da irregularidade (atrasos, overbooking e cancelamentos).

O que pensa a Groundforce fazer para proteger os funcionários?
A Groundforce está a fazer a pressão total junto dos intervenientes. Existem dois caminhos a seguir em paralelo.
Um que é mais longo e passa por equiparar as agressões aos funcionários aeroportuários a uma agressão a um agente com estatuto diferente (inspetores da ACT e da ASAE, por exemplo). Dessa forma passamos a qualificar a agressão de crime semipúblico (como é hoje em dia e a qual obriga à queixa por parte do trabalhador) para crime público (o que elimina esse passo). O outro caminho passa por, em conjunto com a ANA, a PSP e as companhias aéreas, definir esquemas de reforço de segurança para este verão, já que a primeira via é mais longa por obrigar a uma alteração legislativa.
Esta semana já fizemos reuniões com a ANA, PSP e ANAC, e no inicio da próxima semana juntaremos forças com os sindicatos no sentido de sensibilizar o poder politico para a necessidade de reforço de meios e de alterações legislativa que entendemos necessárias.

Como avalia a prestação da PSP no aeroporto?
A PSP tem trabalhado em estreita colaboração connosco neste e noutros temas de segurança. Temos trabalhado muito de perto de forma eficiente. No entanto, não sentimos que os meios à disposição desta área tenham aumento proporcionalmente ao aumento da atividade e do risco da operação

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