Arménio responde à polémica do "rei mago escurinho"

Líder da CGTP diz que retiraram do contexto global a sua afirmação "rei mago escurinho" sobre líder da missão do FMI.

O líder da CGTP Arménio Carlos usou uma frase para caracterizar Abebe Selassie, chefe da missão do FMI para Portugal, que ontem se tornou viral nas redes sociais e gerou uma enorme polémica. Ao falar do que muitos transcreveram como sendo o "rei mago escurinho" durante a manifestação que reuniu 40 mil professores em protesto em Lisboa, Arménio Carlos foi alvo de várias acusações. Marcelo de Rebelo de Sousa, ontem à noite na TVI, disse não "haver necessidade" e que uma frase assim fica mal a qualquer pessoa, ainda mais a "um homem de esquerda". No Facebook, entre outros, Daniel Oliveira, do Bloco de Esquerda, e Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, também não deixaram passar em claro a frase. "Esta crise anda a fazer quase toda a gente perder o norte e o sul", escreveu Daniel Oliveira, que 'postou' ainda: "Coisas extraordinárias vêm de quem menos se espera". Rui Moreira era mais duro: "Se não fosse comunista, caia o 'Carmo e a Trindade'".

Em reação ao DN, Arménio Carlos recusa ser mal interpretado. "A única coisa que quero é que ponham aquilo que eu disse", afirmou o secretário-geral da CGTP. O líder sindical insistiu em que as suas palavras fossem transcritas com exatidão: "O que eu disse foi que em Fevereiro regressam os três reis magos, dois brancos e um escurinho, que são os representantes do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. São os representantes dos grandes senhores. E acrescentei que são os mesmos que fizeram a sexta avaliação da troika e já falam em baixar a TSU, o IRS e em alterar o IVA e intensificar as privatizações". Depois de reafirmar as palavras que disse, Arménio Carlos aceitou comentar as reações polémicas que as suas declarações estão a causar. "Ou não ouviram e estão a retirar ilações racistas daquilo que eu disse, ou estão a amputar o que disse em termos de contexto geral", acusou, acrescentando que se está "a criar um facto retirado de um contexto mais global".

"Cada um é livre de fazer os comentários que quiser, mas racista não sou, não fui e nunca serei", disse ao DN o secretário-geral da CGTP, que sublinhou o papel da intersindical na luta contra o racismo e a sua própria colaboração em eventos como a corrida "Correr com o racismo". O que quis dizer foi que "aqueles que vêm a Portugal - sejam brancos, pretos ou amarelos - por em causa os nossos interesses nós temos de contestar", esclareceu.

"Se por ventura ofendi alguém quero pedir desculpa", afirmou, apesar de vincar que as suas declarações na manifestação de sábado foram em "contexto político e de identificação, e nunca numa referência racial".

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