"Aprendi como numa verdadeira aula de história"

Cláudia Lopes, Professora, 40 anos, Ílhavo

Já passaram 20 anos e sinto as minhas memórias desgastadas pelo tempo. A sensação que tenho é a de não conseguir transcrever toda a emoção vivida nesses dias, mas lembro-me de passar três dias magníficos, de descoberta e aventura, com o meu irmão e a minha mãe.

Fui em finais de julho, depois da época de exames da faculdade, debaixo de um calor quase infernal, que tentava sacudir nos vulcões de água e na cascata dos Jardins da Água. "Corria" pelos pavilhões com medo de que o tempo me faltasse para conhecer todos os países e carimbar, no passaporte, a minha viagem.

Aprendi como numa verdadeira aula de história, admirei a imponente Pala do Pavilhão de Portugal, quase desesperei para entrar no Pavilhão da Utopia (agora Pavilhão Atlântico), viajei pelos Oceanos (no Oceanário), admirei toda a agitação que se fazia sentir numa viagem de teleférico, valorizei a intervenção, tão bem conseguida, numa zona completamente desqualificada da cidade e, acima de tudo, orgulhei-me do meu país... por conseguir mostrar ao mundo que apesar de pequenos, territorialmente, sempre fomos grandiosos e destemidos.

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Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.