Apoiantes de Santana clamam vitória. Rio fala em "truques"

Apoiantes de Rui Rio não poupam críticas à estratégia de Santana Lopes. Ex-autarca do Porto critica "ataques pessoais"

Festa de um lado, críticas do outro. Um dia depois do primeiro frente-a-frente televisivo entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes, os apoiantes do ex-primeiro-ministro reclamavam ontem uma vitória clara, apontando o debate como prova de que Santana será um opositor mais forte contra Costa. Já entre as hostes de Rui Rio não se poupam críticas à atuação do adversário na corrida à liderança dos sociais-democratas.

Uma posição expressa pelo próprio candidato. Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, Rui Rio disse que não gostou do debate e acusou Santana de ter enveredado por uma "série de ataques pessoais, umas mentiras, outras meias verdades, outras verdades. "Se eu tenho entrado na mesma tática que entrou o meu adversário, qual seria a imagem que o PSD tinha dado ao país?", questionou Rio. "Isso entristece-me porque eu fui para ali debater os problemas do país, do PSD", acrescentou.

O tom foi similar entre os seus apoiantes. "Foi um debate de um candidato com um conjunto de truques e meias verdades com alguém que não estava preparado para debater com truques", diz David Justino, coordenador da moção de Rio. "O problema é como é que se lida de forma vertical com um candidato que não usa a mesma postura", questiona o ex-ministro da Educação, garantindo que Rio "vai manter o mesmo tipo de posição e de postura". Salvador Malheiro, presidente da distrital de Aveiro do PSD e diretor da campanha de Rio, também não poupa o candidato adversário. "Infelizmente, pelo tom e pelo nível que apresentou durante a primeira parte, foi um debate pouco dignificante para o partido", diz ao DN, elogiando também a atitude do ex-presidente da Câmara do Porto de "não entrar nas tentativas de campanha suja que foram levantadas". "Não apreciei minimamente a atitude e a forma como Pedro Santana Lopes tentou gerir aquela parte inicial do debate", critica.

No lado oposto o tom era ontem quase festivo. Miguel Santos, responsável pela coordenação política da candidatura de Santana, fala numa vitória "mais que evidente" do antigo presidente da Câmara de Lisboa. Para o também deputado, o debate teve uma primeira parte "totalmente virada para o interior do partido "em que houve "uma grande preponderância de Santana Lopes". Já a segunda parte foi "mais programática", num capítulo em que as diferenças entre os candidatos "não são muito assinaláveis". Mas Miguel Santos destaca um ponto em particular em que defende que é necessária cautela. Evocando as críticas de Rio ao Ministério Público, o parlamentar sustenta que "é preciso ter alguma cautela quando se fazem declarações públicas sobre o sistema judicial", sobretudo quando se trata de alguém que se candidata à liderança do PSD e que será no futuro candidato a primeiro-ministro.

Já Bragança Fernandes, presidente da distrital do Porto dos sociais-democratas, defende que Santana foi o vencedor do frente-a-frente, num debate entre "dois grandes políticos, que fazem parte do quadro de honra do PSD". Santana Lopes sai "mais galvanizado para as lutas que aí vêm, para lutar com António Costa", diz o também presidente da Câmara da Maia, para quem o debate provou que o ex-provedor da Santa Casa é o melhor candidato para fazer frente ao atual líder do executivo em futuras eleições.

Se a generalidade dos comentadores deu a vitória a Santana no "duelo" travado na RTP, o politólogo António Costa Pinto sublinha que a especificidade do eleitorado que vota nas diretas de um partido não aconselha leituras fáceis. "Não coloco as coisas sobre esse ponto de vista. Quem vota são os militantes do PSD e para eles o que é importante [avaliar] é quem tem mais condições de vitória", argumenta.

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