Apesar dos avisos da câmara, o lixo encheu as ruas

Recolha só é retomada hoje, com reforço das juntas para limpar as zonas públicas

Dias de festa são também sinónimo de dia sem recolha de lixo. Um cenário que piora quando esse dia é o Natal e se fica com os embrulhos e as caixas em casa para despachar e o dia anterior foi domingo (quando habitualmente já não há recolha). A prever uma concentração de lixo junto dos caixotes na rua, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) apelou aos lisboetas para "acondicionarem bem os resíduos no interior das habitações e apenas os colocarem para remoção no dia 26 de dezembro". Se muitos cumpriram as recomendações, outros tantos não o terão feito, pelo menos assim o mostram alguns caixotes do lixo da capital.

As próprias juntas de freguesia contavam, já antes das festas, com o civismo dos seus fregueses. Em Arroios ainda se fez a recolha do lixo indevido - aqueles sacos e caixotes que são deixados na rua - no domingo. "Temos de ter respeito pelos cidadãos que respeitam o espaço público, recolhemos o lixo indevido, mas a verdade é que não devia haver lixo na rua", sublinhou a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins. A junta faz este serviço como complemento à recolha da câmara. Que se fez pela última vez a 24 de dezembro e só hoje volta a ser feita.

Na freguesia da Misericórdia (Cais do Sodré e Bairro Alto) o Natal não é a época mais preocupante. "Divulgámos a informação junto da população e comerciantes de que não há recolha, mas como a maior parte do lixo que sentimos é dos visitantes e da noite, não contamos ter muito nestes dias", antecipou a autarca Carla Madeira.

Ainda assim, "no dia 26 temos as nossas equipas todas mobilizadas para pôr a freguesia limpa", acrescenta. Lembrando que estes dias "são feriados especiais" e que por isso "os trabalhadores da higiene urbana também têm de ter a possibilidade de os passar junto da família".

Em Arroios, também hoje vai ser dia de limpeza das ruas para garantir que ao final do dia já não se note que nos últimos dois não houve recolha de lixo.

Só hoje ao final do dia a cidade deve voltar ao normal, com os caixotes do lixo vazios e sem embalagens e sacos encostados e espalhados pela rua. É que apesar dos avisos há ainda quem não acondicione o lixo em casa à espera do dia de recolha e prefira pôr tudo na rua.

Além disso, as associações de defesa do ambiente aconselham a que se reutilizem os embrulhos de Natal, como sacos, caixas ou frascos. Tudo o que tiver mesmo de ir para o lixo deve ser separado para ser colocado no ecoponto e reciclado. Evitando desperdícios, menos sacos vão parar às ruas neste dia e o planeta agradece.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.