ANTRAL demarca-se de "ameaças e violência" em protesto de segunda-feira

A posição da ANTRAL surge depois de os representantes do setor do táxi terem acusado a PSP de querer "partir a manifestação" de segunda-feira ao impor condições relativamente aos taxistas oriundos do norte e do sul do país

A Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) demarcou-se esta sexta-feira de eventuais "situações de ameaças e violência" na manifestação de segunda-feira, em Lisboa, contra as plataformas eletrónicas de mobilidade.

"A ANTRAL rejeita todo o tipo de violência e apela para que a manifestação do dia 10 de outubro seja pacífica, ordeira [e] que sirva para mostrar os nossos pontos de vista contra a ilegalidade", afirmou, em comunicado, o presidente da associação, Florêncio de Almeida.

O responsável acrescentou ainda que a associação se demarca e condena "todas as notícias que envolvam situações de ameaças e violência" durante a ação de protesto.

A posição da ANTRAL surge após os representantes do setor do táxi terem acusado a PSP de querer "partir a manifestação" de segunda-feira, em Lisboa, ao impor condições relativamente aos taxistas oriundos do norte e do sul do país.

"A PSP está a levantar problemas que não fazem sentido. Nós discordamos e mantemos o mesmo itinerário. Declinamos qualquer responsabilidade do que venha a acontecer", afirmou o presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, após uma reunião com a PSP no Comando Metropolitano de Lisboa, em Moscavide (Loures).

Segundo Florêncio de Almeida, que falou também após o encontro, os taxistas pretendem que os carros provenientes do norte se dirijam à Rotunda do Relógio, em Lisboa, para depois se juntarem no Parque das Nações, mas a polícia "quer desviá-los em Santa Iria da Azóia [no vizinho concelho de Loures] para o IC [Itinerário Complementar] 2".

Em relação às viaturas oriundas do sul, acrescentou, as associações definiram uma saída conjunta, com batedores, mas a PSP quer antes que se desloquem em "pequenos grupos de 10 ou 15 viaturas".

Segundo o comissário Sérgio Soares, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, as alterações propostas aos taxistas pretendem apenas facilitar a chegada de viaturas ao local do protesto, que parte do Parque das Nações, em Lisboa, e termina em frente à Assembleia da República.

Em relação às viaturas com origem do sul do país, o responsável da PSP acrescentou que os condicionamentos são justificados com questões de segurança na Ponte 25 de Abril.

Os taxistas aceitaram a indicação policial de, na Baixa de Lisboa, vindos da Rua do Ouro, não passarem na Rua do Arsenal, atualmente em obras, e irem ao Campo das Cebolas para se dirigirem ao Cais do Sodré, rumo à Assembleia da República, em S. Bento."

"Nós queremos a evolução do setor. Agora o que nós queremos são regras e lealdade no setor. Paz social nos transportes ocasionais de passageiros nunca irá existir se o Governo for com este projeto para a frente", alertou Florêncio Almeida, referindo-se à proposta governamental de regulamentação que está em cima da mesa.

O presidente da ANTRAL ressalvou ainda que "os taxistas não estão contra as plataformas 'online' de transportes de passageiros, mas exigem "regras iguais para todos".

O protesto nacional inicia-se às 07:00 com uma concentração no Parque das Nações, seguindo depois, pelas 08:30, com as viaturas em desfile até à Assembleia da República.

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