António Marto será cardeal numa Igreja mais global

Bispo de Leiria-Fátima será ordenado cardeal a 29 de junho, juntamente com outros 13 novos conselheiros do Papa. Escolhas de Francisco estendem-se a Iraque, Japão e Paquistão

Quando ontem António Marto, bispo de Leiria-Fátima, estava a paramentar-se chegou uma mensagem de voz da Nunciatura Apostólica. Ficou a saber que ia ser ordenado cardeal pelo Papa Francisco e decidiu prosseguir com a cerimónia. "Foi uma surpresa completa. Nunca na vida me passou pela cabeça. Não estava à espera, fiquei surpreendido, nervoso, apetecia-me chorar, mas contive-me, procurei manter a calma durante toda a celebração e não dizer a ninguém", contou um dos 14 novos cardeais que serão ordenados a 29 de junho. Neste grupo nota-se a tendência, que tem sido evidente no pontificado de Francisco, em alargar as nomeações a regiões do mundo com menos católicos, incluindo agora países como Iraque, Paquistão e Japão. Há novos cardeais de cinco continentes.

No caso português é a primeira vez que um bispo de Leiria-Fátima é nomeado cardeal. Há três anos que não havia uma escolha nacional, com D. Manuel Clemente a ser o último português a passar a cardeal, em 2015. Os outros dois cardeais portugueses no Colégio Cardinalício são José Saraiva Martins e Manuel Monteiro de Castro, ambos com mais de 80 anos e portanto sem direito a participar no conclave de nomeação de Papa.

O anúncio foi ontem feito pelo Papa Francisco e a 29 de junho será a cerimónia - o consistório - em que recebem o tradicional galero (chapéu eclesiástico) vermelho. António Marto irá integrar o Conselho dos Cardeais, constituído pelos "conselheiros do Papa, que ele reúne para escutar quando são os grandes problemas da Igreja e, depois, para atribuir serviços concretos nas congregações do Vaticano, que são ministérios", explicou o bispo de Leiria-Fátima, desconhecendo o futuro: "Agora não sei o que me reserva. Não faço ideia."

Mas tem uma certeza: que irá participar na reforma da Igreja Católica que Francisco tem posto em prática. "Este Papa está a levar para a frente uma reforma da Igreja, para que seja mais evangélica. Uma Igreja que estende pontes para todos os lados e que não vive fechada em si", explicou ontem.

António Marto dirige a diocese de Leiria-Fátima desde 2006, tendo o seu trabalho sido marcado pelas visitas ao santuário dos papas Bento XVI e Francisco, pelas cerimónias de canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta e pela abertura da Basílica da Santíssima Trindade. Nasceu a 5 de abril de 1947 e é natural de Tronco, concelho de Chaves. É padre desde 1971 e hoje vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Do Iraque a Madagáscar

Entre os 14 nomeados, há católicos dos cinco continentes, com a Europa ainda a manter o maior número, sete, e outros sete a serem oriundos de outras regiões do globo. Itália, Espanha, Portugal, Polónia, Iraque, Paquistão, Japão, Madagáscar, Peru, México e Bolívia são os países de onde chegam os novos cardeais.

No 5.º consistório de Francisco, é visível a preocupação em alargar a regiões mais pobres e a países como o Paquistão ou o Iraque, onde os católicos têm sido alvos de perseguição. Em 2013 a Europa tinha mais de metade do consistório, mas agora isso já não acontece. Na Praça de São Pedro, Francisco disse ontem que "os países de proveniência expressam a universalidade da Igreja, que continua a anunciar o amor misericordioso de Deus a todos os homens na Terra".

O patriarca da Igreja caldeia do Iraque, Louis .Raphael i Sako, e o arcebispo de Carachi, Paquistão, Joseph Coutts, estão nomeados tal como o principal conselheiro do Papa, o polaco Konrad Krajewski, conhecido pela ajuda aos sem-abrigo, e o peruano Pedro Barreto, arcebispo de Huancayo, que se distingue por defender os povos indígenas sul-americanos

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