Costa quer nove em cada dez portugueses a navegar na net em 2030

Meta é "aumentar as competências digitais na sociedade portuguesa"

O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira três metas para Portugal para a próxima década, centradas na inovação e uma delas é ter em 2030 "nove em cada dez portugueses a usarem a Internet".

"Nós interrompemos a convergência com a União Europeia no ano 2000, retomámo-la este ano e queremos que este ano seja o primeiro de uma década de convergência sustentada da União Europeia e, por isso, na estratégia que temos definida para Portugal pós-2020 fixámos três metas muito ambiciosas, centradas na inovação", declarou António Costa na sessão de encerramento da apresentação do Roteiro Inovação, em Matosinhos (Porto).

"Aumentar as competências digitais na sociedade portuguesa e ter em 2030 nove em cada dez portugueses a serem utilizadores da Internet" é uma das metas, disse o primeiro-ministro.

Aumentar a intensidade de investimento na inovação e desenvolvimento é outra ambição, onde Costa disse que até 2030 quer conseguir investir "3% do Produto Interno Bruto (PIB) em investigação e desenvolvimento, um terço com fundos públicos e dois terços com mobilização de investimento privado".

A qualificação dos recursos humanos, que o primeiro-ministro considerou ser "o maior défice que o país tem", é outro objetivo traçado em que o Governo tem de "continuar a trabalhar para reduzir", admitiu.

António Costa disse que quer chegar a 2030 com os jovens na casa dos 20 anos a terem alcançado uma participação no Ensino Superior nos 60%, sendo que hoje rondam os 40%.

O primeiro-ministro congratulou-se hoje com o lançamento do Roteiro da Inovação e do 'Go Portugal', lembrando que o ano de 2017 deixou "uma pesada responsabilidade".

"Foi o ano onde saímos do procedimento de défice excessivo, onde começámos a reduzir a nossa dívida pública, onde tivemos o maior crescimento económico desde o princípio do século, foi o terceiro país da EU que mais criou emprego. Isto é uma enorme responsabilidade para este novo ano de 2018 e para os anos seguintes", declarou, reiterando que tem consciência de que para tornar "sustentável e duradouro" o ano de "viragem" da economia portuguesa é fundamental assumir "a inovação como o grande motor do desenvolvimento".

Para António Costa as três metas são "condições absolutamente essenciais" para que a inovação seja "o centro da vida" e "seja efetivamente o motor" da estratégia de desenvolvimento.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.