António Costa: "Não assunto" sobre Centeno "está encerrado"

Primeiro-ministro está em Bruxelas e comentou o facto de o Partido Popular Europeu ter chegado a pedir um debate sobre o caso da investigação ao ministério das Finanças

António Costa garantiu esta tarde que em nenhum momento lhe falaram sobre o "não assunto", das alegações contra Mário Centeno, durante os vários encontros que manteve esta quarta-feira, em Bruxelas.

Questionado pelos jornalistas portugueses, após uma intervenção perante o Comité das Regiões, o chefe do governo português considerou que "é um caso que está, felizmente, encerrado".

"Só por erro e por má informação o PPE, ontem, tinha pedido que o tema fosse debatido, [mas] quando foi esclarecido da irrelevância do tema, tomou ele próprio a iniciativa de retirar o tema", disse o primeiro-ministro, acrescentando que "não é um assunto".

O primeiro-ministro participou hoje, em Bruxelas, numa homenagem ao percurso europeu de Mário Soares, em que foi atribuído o nome do político português a uma sala do Parlamento Europeu. À tarde fez uma intervenção perante o Comité das Regiões, em que se mostrou favorável ao aumento das contribuições dos Estados-Membros, para o orçamento comunitário, para que, apesar da saída do Reino Unido, a União possa "ser capaz de responder aos novos anseios dos nossos cidadãos", como as "alterações climáticas", a "globalização", a "automação" ou as "migrações".

António Costa entende que "a resposta a estes desafios" não pode ser feita à custa de "políticas de sucesso" como as de Coesão ou a Política Agrícola Comum. Para o primeiro-ministro, que participaria ainda num jantar com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, estes são os temas que "importam" e nos quais o governo se deve "concentrar", como forma de contribuir para a "construção do futuro da Europa".

Em Bruxelas

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.