António Costa desafia críticos de Sócrates

Foi logo a abrir o discurso com que apresentou a moção de José Sócrates, hoje de manhã, que António Costa, ainda número dois do partido, enviou um recado aos mais críticos dentro do próprio partido.

"Este não é momento para silêncios, este não é o momento para calculismos, este é o momento para dizer tudo o que pensamos com a frontalidade que sempre caracterizou o nosso PS", disse António Costa. O recado tinha destinatário, embora o seu nome não tinha sido dito: António José Seguro.

Numa intervenção no congresso do PS, em Matosinhos, que deu o pontapé de saída dos potenciais candidatos à sucessão de Sócrates, Costa mostrou que os mais próximos do actual líder estarão juntos nesse momento. Elogiou Francisco Assis e Carlos César, dois potenciais candidatos numa eventual disputa de liderança. E avisou que Sócrates ainda não caiu, seguindo para as legislativas com o partido ao seu lado: "O PS não é o partido de um homem só, é o partido de um líder que conta com o apoio de todos os seus militantes."

Depois, o autarca de Lisboa recuperou as linhas de intervenção do líder na noite anterior, colando o PSD à palavra "irresponsabilidade" e a um caminho desconhecido. "O lobo mau pode disfarçar-se de avozinha, mas é o lobo mau", atirou, já depois de ter dirigido críticas a uma Europa que "reagiu tarde" à crise do euro, liderada por "24 países conservadores."

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Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.