ANA proíbe partilha de informação sobre filas no aeroporto de Lisboa

O presidente do sindicato dos inspetores do SEF considera "inadmissível" esta atitude e lembra que esta informação "é uma obrigação" da empresa

A ANA, empresa concessionada aos franceses da Vinci que gere o aeroporto de Lisboa, vai deixar de difundir dados sobre a monitorização que faz dos tempos de espera nas chegadas ao aeroporto de Lisboa. Esta é a reação à notícia esta semana publicada pelo DN que dava conta do agravamento da situação nesta infraestrutura aeroportuária. Os turistas, principalmente os que vêm dos EUA, Canadá e China, ou de outros voos fora do espaço Shengen, chegam a esperar duas horas no controlo de passaportes, de acordo com uma tabela de monitorização a que o DN teve acesso.

Num e-mail enviado a entidades governamentais, entre as quais ao ministério da Administração Interna e ao das Infraestruturas, ao SEF e à TAP, a ANA - que não quis prestar esclarecimentos ao DN sobre a situação no aeroporto - vem agora anunciar a quebra de confiança com os parceiros portugueses:" tendo surgido notícias na comunicação social, sobre tempos de processamento no controlo de fronteiras, as quais apresentam dados sensíveis, claramente extraídos da informação operacional que vem sendo disponibilizada pela ANA, vamos interromper o seu envio. Uma eventual futura disponibilização deverá ser diretamente coordenada com o Conselho de Administração da ANA", é escrito na missiva eletrónica.

Para o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF) esta medida "é inadmissível num Estado de Direito", frisando que "há limites para a forma como uma empresa estrangeira se comporta num Estado soberano como é o estado português". Acácio Pereira sublinha que "a informação sobre os tempos de espera, não é um favor que o Grupo Vinci Airports faz ao Governo português e ao SEF. É uma obrigação que o Grupo Vinci tem para com o Estado português no âmbito da concessão dos aeroportos". E acrescenta: "Portugal não é uma República das Bananas onde uma empresa pode suspender o envio de informação a que estava obrigada apenas para esconder a sua responsabilidade em atrasos que prejudicam o país, devido à falta de investimento que era sua obrigação ter feito nos aeroportos!".

Na tarde desta sexta-feira, à margem da Conferência sobre Tráfico de Seres Humanos, organizada pelo SCIF, questionado pelos jornalistas sobre as demoras no controlo de passaportes, da responsabilidade do SEF, o presidente desta organização sindical não poupou críticas à ANA, mesmo assumindo que "um dos problemas" é mesmo a "falta de recursos humanos" nesta polícia de fronteiras. "Quando falamos nas filas dos aeroportos, essas filas são, no fundo, a garantia de que nós estamos a cumprir os critérios de segurança, mas também é preciso pensarmos que essas filas não são apenas derivadas daquilo que é a atividade do SEF e dos seus inspetores, são derivadas também de questões estruturais".

Este responsável assinalou que "o aeroporto de Lisboa não tem a estrutura adequada, é antigo, nem sequer faz a separação entre passageiros Shengen e não-Shengen". A ANA, assevera, "não tem sabido responder" a esse problema. "Tem valorizado sobretudo o lucro em detrimento da segurança e do fluxo dos passageiros", salientou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.