Soares "continua connosco, de cabeça erguida e olhos no futuro"

Presidente da República inaugurou exposição de 49 fotografias sobre as cerimónias fúnebres de Mário Soares, vistas como modelo dos funerais de Estado em democracia.

Manuel Carlos Freire
Cerimónia de tributo a Mário Soares com a presenseça do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o Primeiro-Ministro, António Costa, e o presidente da Câmara Municiaple de Lisboa, Fernando Medina, e os filhos João e Isabel Soares, na igreja do cemitério dos Prazeres, 07 janeiro 2018, em Lisboa. MANUEL DE ALMEIDA / LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa
Cerimónia de tributo a Mário Soares com a presenseça do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o Primeiro-Ministro, António Costa, e o presidente da Câmara Municiaple de Lisboa, Fernando Medina, e os filhos João e Isabel Soares, na igreja do cemitério dos Prazeres, 07 janeiro 2018, em Lisboa. MANUEL DE ALMEIDA / LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa
Cerimónia de tributo a Mário Soares com a presenseça do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o Primeiro-Ministro, António Costa, e o presidente da Câmara Municiaple de Lisboa, Fernando Medina, e os filhos João e Isabel Soares, na igreja do cemitério dos Prazeres, 07 janeiro 2018, em Lisboa. MANUEL DE ALMEIDA / LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à chegada para a inauguração da exposição "A cerimónia do adeus - o funeral de Estado visto pelos fotógrafos", na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério dos Prazeres (patente até dia 10 de junho), no âmbito da cerimónia de tributo ao antigo Presidente da República, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, 07 de janeiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (2-D), acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa (E), e pelo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (2-E), durante a visita à exposição "A cerimónia do adeus - o funeral de Estado visto pelos fotógrafos", na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério dos Prazeres (patente até dia 10 de junho), no âmbito da cerimónia de tributo ao antigo Presidente da República, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, 07 de janeiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), acompanhado por um dos netos do falecido ex-Presidente, Mário Soares, durante a visita à exposição "A cerimónia do adeus - o funeral de Estado visto pelos fotógrafos", na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério dos Prazeres (patente até dia 10 de junho), no âmbito da cerimónia de tributo ao antigo Presidente da República, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, 07 de janeiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA | foto Manuel de Almeida/Lusa

A homenagem prestada ontem a Mário Soares pelas mais altas figuras do Estado, na capela do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, terminou com todos os presentes a cantarem o hino nacional, após o Presidente da República afirmar que "seria impensável terminar" a cerimónia "não cantando" A Portuguesa.

Com algumas centenas de familiares, amigos e admiradores a encherem a capela no primeiro aniversário da morte de Mário Soares, após uma breve cerimónia de deposição de coroas de flores - por parte do Chefe do Estado, do presidente do Parlamento, do primeiro-ministro e do presidente da autarquia - junto ao túmulo do estadista, com elementos da GNR a fazerem guarda de honra e a tocarem hinos militares que se ouvem em cerimónias fúnebres, Marcelo Rebelo de Sousa foi o último dos oradores.

Associando a Soares "a liberdade sem peias, a justiça sem delongas, a democracia sem tergiversações, a solidariedade sem guetos, a proximidade sem complexos, travão de messianismos, sebastianismos e providencialismos, a Europa sem medo dos europeus, o mundo sem guerras e opressões", o Presidente evocou a "palavra muito simples, mas muito poderosa, porque muito sentida" que os portugueses disseram há um ano: "Obrigado."

Lembrando como o ex-Presidente se bateu por "mais liberdade, mais igualdade, mais democracia, mais Europa dos europeus, mais paz, mais justiça, mais fraternidade universal", Marcelo acrescentou: "Um ano depois, Mário Soares continua connosco nesta saga, como sempre esteve, de cabeça erguida, sorriso confiante, peito feito ao vento, olhos no futuro."

Fernando Medina - a câmara municipal organizou a cerimónia - elogiou o "alfacinha de gema" que foi Mário Soares e recordou que "alguns dos [seus] discursos marcantes" contra a ditadura foram feitos em cerimónias fúnebres como as de Bento de Jesus Caraça, Mário Azevedo Gomes e Jaime Cortesão. A propósito da exposição inaugurada ontem no Cemitério dos Prazeres, organizada pelo antigo assessor soarista José Manuel dos Santos e que junta 49 fotografias do funeral de Mário Soares, o autarca assumiu "o compromisso firme" e o "total empenho" da autarquia em "promover e divulgar o [seu] legado".

João Soares agradeceu a "inolvidável despedida, o adeus português" ao seu pai e que se transformou no "primeiro funeral de Estado" do pós-25 de Abril. Depois de dizer que "os cemitérios têm um lugar importante no combate à ditadura", tanto por causa dos referidos discursos aí feitos por Mário Soares como pelas cerimónias do 5 de Outubro no Alto de São João, o deputado socialista sublinhou que o pai "mereceu ter sido o primeiro a exercer as funções de primeiro-ministro saído de eleições livres no Portugal de Abril", bem como "mereceu ter sido o primeiro civil eleito como Presidente da República" e ainda "ter tido o primeiro funeral de Estado do Portugal democrático".

Isabel Soares evocou o pai, que "até estar doente recusou falar da morte", o "sentimento de orfandade e o vazio" que continua a sentir e, com a voz embargada, deixou uma promessa: "Honraremos o seu legado de esperança, a sua memória, e manteremos viva a sua imagem."

O primeiro-ministro, que não participou nas cerimónias fúnebres de há um ano por estar em visita de Estado à Índia, enalteceu o "republicano, laico e socialista" que Mário Soares sempre foi e a sua capacidade de associar "idealismo e realismo, convicção e ação, política e cultura". Por isso, "a nossa mais justa homenagem é continuarmos o seu combate por um Portugal melhor", frisou António Costa.

O presidente do Parlamento destacou a importância de "valorizar "causas de sempre" de Soares como "a democracia, o europeísmo, a justiça social, os direitos humanos". Enfatizando que ele "nunca precisou de ser populista para ser popular", Ferro Rodrigues terminou com um "Até sempre, Mário Soares!".