Seguranças privados são os novos fiscais da Carris

Empresa 2045 fiscaliza títulos de transporte nos autocarros e elétricos para combater a fraude. Em 2017, Carris passou 16 595 multas

Sílvia Freches
Carris tem 37 fiscais, mas vão partilhar tarefa com seguranças privados© Leonardo Negrão / Global Imagens

Os passageiros da Carris sem título de transporte válido - leia-se, sem bilhete, passe fora da validade ou título não validado - passam a "prestar contas" (também) a seguranças privados.

Os atuais 37 fiscais da Carris, gerida pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) desde fevereiro, mantém-se em funções, mas grande parte da fiscalização passa a ser da responsabilidade da empresa de segurança 2045. Um grupo - que chegou a ser dirigido pelo "superespião" Jorge Silva Carvalho (ex-diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) e que ostenta uma vasta lista de clientes como EDP, ANA, Instituto de Segurança Social, Federação Portuguesa de Futebol, Sporting, Casa Pia.

"A Carris tem nas suas medidas prioritárias o combate à fraude, em resultado da falta de equidade que existe entre os utilizadores que possuem título de transporte válido e aqueles que usam abusivamente o transporte sem pagar", disse ao DN a empresa. No ano passado, a Carris transportou 122,4 milhões pessoas com título válido, mais 4,3% do que no anterior - uma inversão na acentuada queda de clientes verificada entre 2010 e 2016, período em que perdeu 40 milhões de passageiros. No ano passado, também as multas emitidas pelos fiscais subiram: passaram de 15 539 para 16 595.

Porém, segundo a Carris, este número não traduz a real dimensão do problema das fraudes nos transportes, pois há muitos passageiros que os utilizam sem título válido e não são detetados. Segundo os dados mais recentes, num estudo pedido pelo governo à Autoridade Metropolitana de Lisboa, todos os anos há mais de cem mil pessoas que viajam sem pagar bilhete. No total, Carris, CP e Metropolitano estariam a perder 8,5 milhões de euros de receitas por causa da fraude. E a taxa mais elevada será a da Carris, que segundo o mesmo estudo perde 15,16% de receitas com esta situação.

O reforço de fiscalização da Carris começou na passada segunda-feira, com os elementos da 2045 a serem acompanhados por fiscais da empresa nas rondas de verificação da situação dos utilizadores.

"A Carris tem atualmente nos seus quadros 37 fiscais. No plano interno, não existem recursos humanos que possam fazer face à necessidade de serviço. A prestação de serviços de segurança para fiscalização de títulos de transporte foi objeto de concurso público. Depois de analisadas as propostas para a contratualização deste serviço, a empresa 2045 SA foi a vencedora", explicou a empresa de transportes, adiantando que o contrato tem um prazo de seis meses, depois será feita a avaliação dos resultados.

A 1 de Fevereiro de 2017, a gestão da Carris passou para a alçada da Câmara de Lisboa, numa decisão do primeiro-ministro, António Costa, que considera que os transportes terrestres devem ser geridos pelos municípios. Na altura, o presidente da CML, Fernando Medina, comprometeu-se com investimentos a realizar nos três anos seguintes, nomeadamente a aquisição de 250 novos autocarros para a cidade, a contratação de 220 motoristas e a criação de 21 novas linhas.