PSD: "O Governo tem duas caras"

O crescimento da Economia não está na agenda das jornadas parlamentares do PSD, que começara esta terça-feira num resort de cinco estrelas, em Santa Eulália, Albufeira

Valentina Marcelino
© LUÍS FORRA/LUSA

A "avaliação do trabalho do governo" vai ser um dos pontos centrais das jornadas parlamentares do PSD, anunciou o líder da bancada Luís Montenegro na sua intervenção de abertura, esta tarde. "Não vamos falar do ponto de vista económico e financeiro, mas de outros temas", começou por dizer, ignorando todos os indicadores positivos. O maior partido da oposição quer antes evidenciar as "duas caras do governo". A sustentar esta tese, Montenegro recordou o caso, noticiado este fim de semana pelo DN, da contratação de estagiários não remunerados pelo governo, para o gabinete jurídico da Presidência do Conselho de Ministros (PCM). "Como propaganda politica o governo anda a dizer há meses que quer acabar com os vínculos precários na administração pública, embora muito mal explicado e com contradições. Basta ver que só nos primeiros três meses deste ano o Estado contratou mais 4 mil precários. E agora vem esta história dos estagiários não remunerados para exercerem funções de capital importância na PCM, como é a avaliação da qualidade legislativa. O governo tem duas caras. Uma da publicidade, muito sorridente, outra do dia-a-dia de malabarismos que escondem a verdadeira capacidade do governo fazer aquilo que diz", salientou.

Os outros temas que Montenegro quer ver discutidos nas jornadas, são a reforma do sistema político e a consequente redução do número de deputados, mas para a qual é necessária uma maioria de dois terços dos deputados; a regulação da Uber e da Cabify, "responsabilizado as plataformas eletrónicas; e o alojamento local, que o PSD quer que continue "dinamizado". "Parece que o PS não gosta deste setor de atividade. A proposta de fazer depender o alojamento local da autorização de todo o condomínio é matar este setor que tem sido tão positivo para as famílias", afirmou. "Podemos ter um governo mau, mas não estamos condenados a ter um país pobre", concluiu.