PSD com novo registo dialogante no Parlamento

A chegada de Rui Rio à liderança do PSD já se sente na atitude do grupo parlamentar do partido. É o que se está a ver esta tarde no plenário do Parlamento.

João Pedro Henriques
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, discursa durante o debate sobre a interpelação ao Governo sobre o tema "Portugal 2030", na Assembleia da República em Lisboa, 25 de janeiro de 2018. TIAGO PETINGA/LUSA© Tiago Petinga/Lusa

Através do ainda líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, o PSD "felicitou" esta tarde no Parlamento a iniciativa do PS de interpelar o Governo sobre o programa do novo quadro comunitário de apoio pós 2020 (que o Executivo designa de "Portugal 2030").

Num tom nitidamente diferente face aos debates anteriores à eleição de Rui Rio como presidente do PSD, Hugo Soares elogiou também o "mérito" da proposta do PS para que se crie no Parlamento uma comissão eventual de acompanhamento do "processo de definição da Estratégia Portugal 2030 no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual pós-2020".

Para que a intervenção não fosse só de elogios ao Governo ou ao PS, Hugo Soares acusou o Executivo de, nesta questão do quadro comunitário pós-2020 "andar a reboque" de outros países europeus. "Este Governo é o que vai mais atrás na UE", afirmou.

Ao mesmo tempo, o líder parlamentar do PSD que nas eleições diretas no partido apoiou o candidato derrotado, Pedro Santana Lopes explorou as divisões sobre questões europeias que imperam na maioria de esquerda. Assim, perguntou a Carlos César se quando o PS e o Governo negociarem acordos nacionais face ao pós-2020 irão valorizar "aqueles que têm uma visão para o futuro" (leia-se: PSD e CDS) ou os que têm posições "antieuropeístas" (isto é, o BE, o PCP e o PEV).

César, na resposta, recusou dizer quem o PS e o Governo privilegiarão nas negociações, afirmando que os socialistas irão valorizar apenas quem tiver "por referência o interesse nacional". Quanto aos supostos atrasos deste Governo na preparação do "Portugal 2030", contra atacou o PSD: "Nunca nos atrasaremos tanto como o anterior Governo" face ao quadro comunitário de apoio atualmente em vigor.

O Governo fez-se representar no debate por, entre outros, o ministro do Planeamento e Infraestrutura. Pedro Marques anunciou que nas "próximas semanas" o Governo iniciará uma "auscultação" aos partidos parlamentares tendo em vista reconstituir o Conselho Superior de Obras Públicas, o qual definiu como um "organismo independente e de apoio ao Governo na definição dos programas de investimento e nos projetos de relevância".

As novas convergências PS-PSD pós eleição de Rui Rio chegaram esta tarde ao plenário mas ao fim de manhã já se tinham manifestado em declarações públicas dos líderes parlamentares dos dois partidos. Hugo Soares, pelo PSD, anunciou que o partido iria pedir o adiamento para depois do congresso do partido, de 16 a 18 de fevereiro, da votação do chamado pacote legislativo da transparência (que, por exemplo, reforça as incompatibilidades dos deputados). Segundo explicou, é preciso um debate mais aprofundado e, além do mais, "a nova liderança do PSD, que tomará posse no dia 18, deverá ter uma palavra a dizer sobre essas matérias", "Essa discussão deve ser feita com a liderança do dr. Rui Rio", reforçou. A votação estava prevista para se iniciar hoje, na respectiva comissão parlamentar.

Logo a seguir, Carlos César anunciou que o PS dizia que sim ao pedido do PSD.