Proibir touradas? "É folclore mediático"

Prótoiro desvaloriza nova investida do PAN para proibir corridas de toiros. "É mais uma ação desesperada de um partido em luta pela sobrevivência", diz a federação

Joana Petiz
© EPA/Alberto Estevez

A Prótoiro - Federação Portuguesa de Tauromaquia desvaloriza a mais recente e já esperada iniciativa do PAN para tentar proibir a Tourada em Portugal. "Trata-se de uma rotina demagógica, fundamentada em mentiras, que ataca a Constituição da República Portuguesa", afirmam os responsáveis, em comunicado enviado ao DN, acrescentando que esta "representa uma nova iniciativa antidemocrática de um partido desesperado e cada vez mais extremado na luta pela sobrevivência".

"A identidade de um povo, ao contrário do que defende o PAN, manifesta-se pelo respeito da diversidade cultural e não pela imposição de uma ideologia única", defendem, considrando mesmo que esta vontade "manifestada nesta posição radical" contraria o n.º 2, do art. 43º da Constituição, segundo o qual "o Estado não pode programar a Educação e a Cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas".

Além de alertar para a questão legal, a Prótoiro faz ainda questão de desmontar os argumentos do PAN, vincando mesmo que, não sendo esta a primeira vez que a Assembleia da República debate a proibição de touradas em Portugal, esta tem sido rejeitada por esmagadora maioria, como aconteceu em 2011, quando cerca de 80% dos deputados votaram pela manutenção do espetáculo.

"Em 2017, realizaram-se 205 espetáculos tauromáquicos em 80 municípios e não 181 em 44 conforme refere o PAN. Estes espetáculos realizaram-se em 15 distritos de norte a sul do país, além da Região Autónoma dos Açores. E no ano passado registou-se um aumento de 1,8 % do número de espectadores em touradas para um total de 435 660. Não contabilizados estão os mais de mil eventos de tauromaquia popular que se realizam por todo o país, como a Vaca das Cordas (Ponte de Lima), a Capeia Arraiana (Sabugal), as largadas de toiros (Ribatejo) e as Touradas à Corda (Açores)."

As estimativas da Prótoiro apontam para três milhões de pessoas envolvidas em eventos tauromáquicos em todo o território nacional no ano passado. "A Prótoiro compreende o folclore agora proposto por um partido que apenas tenta aumentar desesperadamente a sua visibilidade. Não representa mais de 75 mil pessoas em todo o país e procura com estas investidas lutar pela sobrevivência. Quer inverter a queda nas sondagens e evitar o desaparecimento do único deputado com assento parlamentar", critica ainda. E diz-se confiante de que esta nova iniciativa terá o mesmo desfecho das anteriores: um chumbo representativo de "uma demonstração clara da defesa dos valores da democracia e da liberdade cultural".