Perfil de imigração mudou e Portugal é agora escolha para estudar

Relatório do Observatório das Migrações revela que os vistos de residência atribuídos nos postos consulares em 2015 e 2016 mostram a prevalência dos que estão associados ao estudo e ao reagrupamento familiar

DN/LusaSusete Henriques
© Maria João Gala/Global Imagens

O perfil da imigração em Portugal está a mudar desde 2008, registando nos últimos anos um fluxo de entrada associado principalmente ao estudo e ao reagrupamento familiar, segundo o último relatório estatístico anual do Observatório das Migrações.

De acordo com o documento, até meados da última década as principais razões de entrada ou de solicitação de entrada no país eram de natureza laboral.

Uma análise dos vistos de residência atribuídos nos postos consulares em 2015 e 2016, mostra a prevalência dos vistos associados ao estudo e ao reagrupamento familiar

No entanto, nos últimos anos -- também por força da situação da economia portuguesa e do decréscimo das oportunidades de trabalho nos setores económicos onde os imigrantes tendiam a inserir-se -- os fluxos de entrada passaram a estar associados principalmente ao estudo e ao reagrupamento familiar.

O relatório estatístico anual de 2017 sobre indicadores de integração de imigrantes faz uma análise dos vistos de residência atribuídos nos postos consulares em 2015 e 2016, indicando que mostram a prevalência dos vistos associados ao estudo e ao reagrupamento familiar.

Em 2015, os vistos associados ao estudo e ao reagrupamento familiar representaram em conjunto 65,3% do total de vistos, repetindo-se a tendência no ano de 2016, representando 67,8% no total

Esta tendência foi também notada em intervalos temporais anteriores, de 2008 a 2014.

Em 2015 estes dois tipos de vistos representaram em conjunto 65,3% do total de vistos, repetindo-se a tendência no ano de 2016, representando 67,8% do total de vistos.

Por outro lado, segundo o relatório, nota-se que tem ganho importância relativa a concessão de vistos de residência para reformados (representando 8,1% e 11,9% do total de vistos de residência emitidos, respetivamente em 2015 e 2016).

O mesmo relatório revela que nos últimos anos Portugal viu o perfil da sua população estrangeira residente mudar progressivamente. Os títulos que mais cresceram desde o inicio da presente década foram as autorizações de residência para atividade independente: eram 174 autorizações em 2011, passando para 2.528 em 2016, ou seja mais 6% face a 2015.

O relatório refere que as autorizações de residência para atividade profissional subordinada passaram de 7.501 em 2011 para 19.065 em 2016

As autorizações para atividade de investigação ou altamente qualificada eram 334 em 2011 passando para 2.816 em 2016, enquanto as autorizações de residência para investimento eram inexistentes em 2011 e em 2016 registaram-se 4.310.

O relatório refere ainda que as autorizações de residência para atividade profissional subordinada passaram de 7.501 em 2011 para 19.065 em 2016, ainda que -14% face a 2015.

As mulheres imigrantes são em maior número e, mantendo a distribuição das últimas décadas, a população estrangeira residente é tendencialmente mais jovem que a população portuguesa

Relativamente às características sociodemográficas da população estrangeira residente em Portugal o documento revela que, como em anos anteriores, a população estrangeira residente não se distribui de forma equilibrada pelo país, concentrando-se principalmente nas zonas urbanas do litoral, assumindo maior impacto no Algarve.

As mulheres imigrantes são em maior número e, mantendo a distribuição das últimas décadas, a população estrangeira residente é tendencialmente mais jovem que a população portuguesa, concentrando-se nos grupos etários mais jovens e em idades ativas.

O Observatório das Migrações (OM) tem entre as suas atribuições "recolher, sistematizar e analisar informação estatística e administrativa de fontes nacionais e internacionais respeitantes ao fenómeno da imigração, nomeadamente os indicadores de integração de imigrantes e de refugiados".