Os desafios de António Costa

O líder socialista apontou o discurso para as tarefas que os socialistas devem levar por diante para que o eleitorado dê a vitória ao PS em 2019

Paula Sá
António Costa no discurso de encerramento© Orlando Almeida/Global Imagens

Um pacto de concertação social para conciliar família e trabalho

> António Costa quer resolver o problema da natalidade no país não com os tradicionais incentivos, mas com um grande acordo de concertação social que vise a conciliação entre família e trabalho. Ou seja, pôr patrões e sindicatos de acordo para que as empresas sejam um espaço mais amigo à constituição das famílias.

Seduzir os emigrantes jovens com um pacote de apoio no OE 2019

> Quase num negativo daquilo que foi o governo do PSD-CDS, o líder do PS e primeiro-ministro compromete-se a resgatar os milhares de jovens emigrantes que saíram do país durante a crise económica e o período de resgate financeiro. Anunciou mesmo que vai inscrever este desígnio no Orçamento do Estado para 2019, o que quer dizer que será consagrado um envelope financeiro destinado a atrair estes jovens qualificados. Costa garantiu que terão todas as possibilidades de terem um futuro em Portugal.

Convencer patrões de que trabalho qualificado deve ser mais bem pago

> A questão salarial foi também central na sua intervenção. Costa pressionou as empresas a pagarem melhor porque só assim conseguem ter ao seu serviço "os mais qualificados" - e essa é uma condição imprescindível da competitividade. Antes tinha dito que "não basta ter mais emprego, se queremos fixar novas gerações temos de ter melhor emprego". E uma das faces é o combate à precariedade, a outra o aumento dos salários. Lembra, a este propósito, que já houve acordo para aumentar 15% o salário mínimo nacional, mas que no próximo ano se vai chegar aos 600 euros. Um aumento que quer ver extensível à generalidade dos salários.

Criar espaço para horários de trabalho mais amigos da família

> No plano da concertação social, o secretário-geral do PS também diz que irá bater-se para que nos setores público e privado os horários de trabalho possam ser flexíveis, de modo a serem ajustados ao longo da vida e, mais uma vez, para responder à necessária conciliação entre as vidas familiar e profissional.

A "paixão" pela educação e o combate ao abandono escolar

> Voltando ao velho lema de António Guterres, a "paixão" pela educação, António Costa estabelece metas ambiciosas entre 2020 e 2030: que a taxa de abandono escolar precoce seja inferior a 10%; e que em 2030 60% dos jovens frequentem o ensino superior.

Ganhar as três eleições do próximo ano sem pedir a maioria absoluta

> Costa aproveitou o congresso para dizer ao partido quais são os objetivos eleitorais do próximo ano, em que ocorrem três eleições - europeias, legislativas e regionais da Madeira. Simplesmente "ganhar" foi a fasquia que estabeleceu. E se o conseguir na região autónoma será a primeira vez que os socialistas governarão os madeirenses. Já nas europeias, o desafio é manter ou até subir o resultado conseguido em 2014. Nessas eleições, o PS sozinho conseguiu oito eurodeputados contra sete da coligação PSD-CDS. Já para as legislativas, Costa não arriscou a demonstrar vontade em conseguir uma maioria absoluta. É que nem a palavra "maioria" soletrou para evitar qualquer interpretação jornalística.

Travar os delfins que já estão a marcar terreno para o pós-Costa

> Costa não escondeu o enorme orgulho que tem na nova geração de socialistas, mas avisou-os de que não está de malas aviadas para deixar a liderança do partido. "Não meti os papéis para a reforma." E isto um dia depois de Pedro Nuno Santos, um dos seus delfins, ter empolgado e congresso e notoriamente se ter posicionado para o futuro, em que também jogam Fernando Medina e Ana Catarina Mendes, que voltará a ser a secretária-geral adjunta.