Nuno Melo pondera liderança: "Anuncio decisão na próxima semana"

Os militantes centristas vão escolher o próximo líder no congresso que deverá realizar-se em meados de abril. Nuno Melo já tem uma vaga de fundo de apoio e está a "ponderar

Valentina Marcelino e Rui Pedro Antunes
© Manuel Almeida/Lusa

Nuno Melo é cada vez mais consensual nas bases e na direção do partido e está a um passo de avançar para a liderança do CDS. "Estou a ponderar e anunciarei a minha decisão na próxima semana", assumiu o dirigente centrista ao DN, quando confrontado com as informações que dão conta da "vaga de fundo" que está a crescer no CDS, para apoiar o eurodeputado na sucessão a Paulo Portas.

Nuno Melo é neste momento o preferido entre os vice-presidentes do CDS-PP. "Mas se ele decidir avançar, nunca será contra Assunção Cristas, assim como se Cristas avançar terá sempre o apoio do Nuno Melo", sublinha um destes dirigentes ao DN. O que todos estes responsáveis partidários fizeram questão em frisar é que "não haverá jamais uma guerra à sucessão, nem conflitos entre os vice-presidentes. Quando se considerar que estão reunidas as condições para alguém assumir a candidatura à liderança, terá o apoio de todos".

Um dos vice-presidentes assinalou que Melo "tem o apoio do partido e sempre foi considerado como o mais provável sucessor de Portas". Outro dirigente do núcleo duro da direção do partido sublinha que o eurodeputado "nem precisa de contar espingardas, pois sabe que tem todas com ele. Tem a cabeça a vaga de fundo. A questão é saber se ele quer", sublinhou outro dirigente.

João Almeida, um dos vice-presidentes e um dos nomes que tinha sido indicado como potencial candidato à liderança, mas que já se autoexcluiu, não quis indicar ainda o seu apoio, remetendo para o congresso do partido, que se deverá realizar em abril, "a decisão dos militantes". "Não havia uma sucessão preparada. Felizmente Paulo Portas preocupou-se mais em deixar uma geração política de gente com muita capacidade, do que com a sucessão. É esta geração que terá a liberdade de escolher o seu líder. Estamos a lidar com esta questão com muita calma", garante este dirigente.

Ontem o vice-presidente e porta-voz da comissão executiva do CDS, Filipe Lobo D"Ávila, manifestou, na sua página do Facebook, o apoio a Nuno Melo. "Muito tem sido dito sobre o futuro do CDS. Já há moções anunciadas, mas não há ainda candidatos. Não há ainda candidatos e as preferências já são para todos os gostos. Em semana de Conselho Nacional eu manifesto a minha: Nuno Melo. Não sei se o será, mas o CDS ficaria muito bem entregue", declarou.

Amanhã realiza-se o Conselho Nacional do CDS, no qual será marcada a data do Congresso e aprovados os regulamentos para a eleição dos delegados.

Tudo nas mãos de Melo

Está tudo nas mãos de Melo. Todos os dias chegam apoios e pressões para avançar. Tudo se conjuga para que o eurodeputado seja candidato (e favorito) à sucessão de Portas.

Acontece que a saída do atual líder deixou Melo surpreendido. O primeiro vice-presidente tinha planeado terminar o mandato em Bruxelas (até 2019). A nível pessoal e profissional (neste caso político) só por essa altura o centrista contava ter de ponderar se avançava para a liderança do CDS.

Melo não previa abdicar do trabalho em Bruxelas e, segundo fonte próxima, não pondera ficar como líder e eurodeputado. "Só aconteceu uma vez na história do partido, com Ribeiro e Castro, e não foi feliz. Repetir o erro seria péssimo. E Melo tem consciência disso", referiu a mesma fonte.

Quanto ao handicap de não estar no Parlamento, esse pode ser resolvido. Melo era o último suplente da lista da coligação PSD/CDS por Braga. Basta que um dos efetivos (Telmo Correia ou Vânia Dias da Silva) e as duas centristas que se seguem na lista abdicarem e Melo poderá ser deputado. É tecnicamente possível e assim poderia fazer oposição no Parlamento. Portas abertas para Melo.