Movimento "Não Apaguem a Memória" contra concessão de Forte de Peniche a privados

Em causa, a transformação da antiga prisão em empreendimento turístico.

Lusa
Forte de Peniche© Jorge Amaral/ Global Imagens

O Movimento Não Apaguem a Memória manifestou-se hoje contra a intenção do Governo de concessionar a Fortaleza de Peniche a privados, por defender que não concilia os interesses turísticos com os da preservação do espaço emblemático da resistência antifascista.

"Não se vê como a concessão a um privado do Forte de Peniche se possa conciliar com a divulgação dos combates pela liberdade, ainda menos com a dignificação de um dos locais mais significativos e simbólicos da resistência à ditadura do Estado Novo, nem com a valorização do Museu da Resistência aí instalado", refere o movimento em comunicado.

O movimento defende, pelo contrário, que o Governo deverá "criar condições, incluindo financeiras, para que o Forte seja devidamente preservado".

"A democracia não pode esquecer aqueles que abnegadamente lutaram e sofreram pela sua instauração e não pode privatizar a gestão da sua memória e dos seus símbolos históricos mais emblemáticos", enfatiza.

Uma petição pública eletrónica contra a eventual concessão a privados a exploração turística ou hoteleira da Fortaleza de Peniche, antiga prisão do regime do Estado Novo, está a circular e já conta com cerca de 4.000 assinaturas, entre as quais do comunista e conselheiro de Estado do Presidente da República Domingos Abrantes, um dos muitos presos políticos do regime ditatorial e um dos protagonistas de uma das fugas que abalaram o 'status quo' de António de Oliveira Salazar, dessa feita do Forte de Caxias, em 1961.

"Os abaixo-assinados, democratas antifascistas, surpreendidos com as recentes notícias sobre a concessão do Forte de Peniche, empenhados na defesa da necessária preservação da memória e resistência ao fascismo e pelo respeito de milhares de portugueses que deram o melhor das suas vidas para que o povo português pudesse viver em liberdade, apelam ao Governo para que o Forte de Penichepermaneça património nacional, símbolo da repressão fascista e da luta pela liberdade", lê-se no documento colocado no sítio virtual "peticaopublica.com".

Além de Domingos Abrantes, Sérgio Godinho, José Barata Moura, Pilar del Río ou a ex-provedora da Casa Pia Catalina Pestana estão entre as personalidades que aderiram.

Também a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) está contra.

"A preservação do Forte de Peniche, quer como lugar da repressão e da resistência ao fascismo, quer como lugar de esclarecimento para as jovens gerações sobre o que foi a ditadura fascista, é uma exigência de respeito pela memória de todos aqueles que sacrificaram o melhor das suas vidas para que o povo vivesse em liberdade", afirma a associação em comunicado.

A mesma posição é mantida pela direção nacional e pela Organização Regional de Leiria do PCP.

Pelo contrário, a Câmara de Peniche e as estruturas locais do PCP, PS e PSD são favoráveis à concessão da Fortaleza de Peniche para fins turísticos, desde que seja salvaguardada a preservação e que o museu da ex-prisão política continue aberto.