Montenegro deixa o caminho aberto para Rangel mas não o apoia

Ex-líder parlamentar diz não ter condições "pessoais e políticas" para avançar. Rangel deverá assumir a candidatura em breve.

Paula Sá
Luís Montenegro era visto como um potencial sucessor de Pedro Passos Coelho © MIGUEL A. LOPES/LUSA

Luís Montenegro fechou ontem a porta a uma candidatura à liderança do PSD. Deixa assim aberto o caminho a Paulo Rangel para que avance contra Rui Rio, cuja o anúncio da candidatura estará para breve, mas não o apoiará. "Manterei total equidistância face às candidaturas que vão surgir", afirma em comunicado.

O ex-líder parlamentar do PSD diz ter levado a cabo uma "reflexão profunda" sobre a nova fase que se abriu no partido e com a decisão anunciada da não recandidatura de Pedro Passos Coelho. Mas concluiu, "por razões pessoais e políticas", não estarem reunidas "as condições para, neste momento, exercer esse direito" da apresentação de uma candidatura à liderança.

[citacao] Após a reflexão que fiz entendo que, por razões pessoais e políticas, não estão reunidas as condições para, neste momento, exercer esse direito

"Ao mesmo tempo, não queria deixar de sublinhar que, num momento em que o País é dirigido por uma maioria de esquerda que não tem uma visão estratégica para o nosso futuro coletivo e que não tem limites á sua ânsia de poder, é determinante que PSD não fulanize o debate interno e que seja capaz de discutir as ideias e os projetos que deveremos apresentar aos portugueses", refere no comunicado. Montenegro diz que irá participar no debate interno, mas que manterá a "total equidistância" em relação às candidaturas que surgirem. Ou seja, não apoiará nem Rui Rio nem Paulo Rangel.

[citacao] Participarei activamente nesse debate interno. Mas, em simultâneo, manterei total equidistância face às candidaturas que vão surgir

O DN sabe que o ex-líder parlamentar do PSD e o eurodeputado social-democrata mantiveram o diálogo sobre a sucessão de Pedro Passos Coelho, nomeadamente na quarta-feira. Mas fontes próximas de um deles já nos tinham garantido que não havia nenhum acordo para que um apoiasse o outro. "Certo mesmo é que não avançariam os dois, um contra o outro, porque iriam dividir o mesmo espaço político dentro do PSD", assegura a mesma fonte.

Ficou também assente que o processo de decisão seria muito rápido, já que os dois estavam a receber incentivos e apoios de vários quadrantes do PSD.

Desde o Conselho Nacional de terça-feira que Paulo Rangel também intensificou os contactos políticos dentro do partido e mesmo externamente. Dados as suas responsabilidades no Parlamento Europeu e no PPE, onde tem uma vice-presidência, ouviu os seus parceiros europeus. Também ele deverá anunciar rapidamente a sua decisão sobre a candidatura à sucessão de Passos, até antes do Conselho Nacional do partido, que se reúne segunda-feira para marcar a data das diretas .

Mesmo sem o apoio de Montenegro - que era muito bem acolhido nas hostes passistas e na máquina do partido - Rangel deverá ter esses setores que não se reveem na candidatura de Rui Rio consigo. "Sobretudo as novas gerações veem nele uma pessoa com mundo e com capacidade de abrir o partido e até de cativar alguns dos que naturalmente estariam com Rio", garante ao DN uma fonte do PSD.

Paulo Rangel já tinha sido candidato à liderança do PSD em 2010 contra Aguiar-Branco e Passos Coelho. Mas foi a ele que o ainda líder do PSD elogiou no Conselho Nacional em que abriu a porta à sucessão.