Medina e BE prestes a fechar acordo em Lisboa

Acordo apenas dependente de ratificação pela direção do BE, que deverá selar hoje o entendimento

Susete Francisco

Fernando Medina e o Bloco de Esquerda estão à beira de um entendimento para a Câmara Municipal de Lisboa. Ao que o DN apurou falta o "sim" final da direção bloquista, que reúne hoje para analisar e decidir se ratifica os termos do acordo, selando assim a solução de governação para a capital. Por saber está ainda o pelouro que caberá a Ricardo Robles, o vereador eleito pelo BE nas eleições de 1 de outubro.

Para amanhã está marcada a primeira reunião do executivo camarário eleito nas autárquicas de 1 de outubro. A ordem de trabalhos da reunião inclui, como primeiro ponto, "aprovar a fixação do número de vereadores em regime de tempo inteiro". E também "aprovar a delegação de competências da Câmara Municipal de Lisboa no seu presidente" - o primeiro passo para que Medina possa designar depois os pelouros atribuídos a cada vereador. Se a direção do BE aprovar hoje o acordo, o líder da autarquia poderá, já amanhã, definir as atribuições da vereação.

Com oito vereadores, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa precisa de mais um assento para garantir a maioria. O acordo, cujos termos são ainda desconhecidos, deverá definir de que forma o BE se posicionará face às propostas do executivo.

Nas últimas semanas têm-se sucedido as reuniões entre as duas partes, com três temas a dificultar o acordo - habitação, transportes e educação. No primeiro caso, as divergências prenderam-se sobretudo com o número de fogos a colocar no regime de renda acessível, durante o mandato autárquico que agora se inicia, e com a forma de financiamento deste programa, que o Bloco de Esquerda defende que deve ser exclusivamente público. Isto quando a câmara tem já em marcha um programa que prevê um investimento total privado de 708 milhões de euros. Este foi, aliás, um tema de crítica mútua entre Medina e Robles durante a campanha eleitoral, com o bloquista a acusar a câmara de estar a promover uma Parceria Público-Privada PPP), e o autarca socialista a devolver que o plano do BE é uma "ultra PPP- Plano só Para o Papel".

Já no que se refere aos transportes, a Carris e o Metro foram as duas principais questões a emperrar a negociação. No plano da Educação, o Bloco elegeu como uma das principais bandeiras, durante a campanha eleitoral, a abertura de pelo menos 48 novas creches públicas.

A concretizar-se o entendimento, este será um acordo inédito entre socialistas e bloquistas. De fora fica o PCP (dois vereadores), que recusou acordos permanentes para a governação da capital, uma recusa que mereceu duras críticas de Fernando Medina no dia da tomada de posse.