Medina diz que buscas "não tiveram como objeto" direto a Câmara de Lisboa

O presidente da Câmara de Lisboa confirma a investigação no âmbito de um inquérito do Ministério Público

Sónia Silva
©  Álvaro Isidoro / Global Imagens

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, confirmou que foram efetuadas buscas nos serviços municipais no âmbito de um inquérito do Ministério Público, mas segundo o autarca "não tiveram como objeto diretamente" a Câmara.

Questionado pelos jornalistas à chegada à reunião pública do executivo, que decorre esta tarde nos Paços do Concelho, Medina disse que "foram realizadas [buscas], como é público".

Segundo o socialista, as buscas "não tiveram como objeto diretamente a Câmara Municipal de Lisboa, mas um processo mais vasto".

Não tenho receio rigorosamente de nada

"A investigação, como é público, está centrada sobre um objeto externo à Câmara Municipal de Lisboa e, no âmbito dessa operação mais global, houve a vontade de haver a recolha de elementos e informações que a Câmara de Lisboa tinha. Foi isso que nós fizemos, cumprindo a nossa obrigação", considerou.

Medina apontou que assim irá continuar a fazer, "para o apuramento da verdade, da justiça e a correta utilização de todos os meios públicos".

Questionado se tinha receio que o município possa vir a estar na mira das autoridades, o presidente da Câmara da capital foi taxativo: "Não tenho receio rigorosamente de nada".

"No nosso país, cada instituição cumpre a sua função, funciona. E a nossa obrigação é colaborar com a justiça em tudo aquilo que pudermos ajudar para o apuramento da verdade e da justiça", salientou.

Entretanto, a revista Sábado publicou que os gabinetes de Medina, do vereador Manuel Salgado (Urbanismo) e do vice-presidente Duarte Cordeiro também foram alvos das buscas por parte da Polícia Judiciária.

Segundo o 'site', existem suspeitas de crimes de "corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido", e foram recolhidos elementos relativos a um "contrato-programa com o Belenenses para a construção de um Rugby Park e cópias de despachos de nomeações e contratação de assessores externos".

Num comunicado enviado às redações pouco depois das declarações do presidente aos jornalistas, a Câmara de Lisboa, através da sua secretaria-geral, refere que "decorreram esta manhã buscas nas instalações da Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito de inquérito promovido pelo Ministério Público".

No âmbito deste inquérito investigam-se alegados crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido

"No âmbito destas diligências, que não se afiguram centradas na atividade da autarquia, a Câmara Municipal de Lisboa manifestou total disponibilidade e colaboração com as autoridades competentes, tendo facultado o acesso a toda a informação e documentação solicitada", lê-se na nota.

A Polícia Judiciária realizou hoje cerca de 70 buscas, incluindo a autarquias, sociedades e instalações partidárias, no continente e no arquipélago dos Açores, segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

No âmbito deste inquérito investigam-se alegados crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.

Algumas das buscas ocorreram na concelhia de Lisboa do PS, na distrital de Lisboa do PSD e em três juntas de freguesia da capital, confirmaram hoje de manhã à agência Lusa fontes partidárias.

Fonte oficial do PS confirmou que a PJ e o MP se deslocaram esta manhã à sede do partido e à concelhia de Lisboa.

"O PS colaborou em tudo o que lhe foi solicitado pelas autoridades", referiu fonte oficial dos socialistas.

Fonte do PSD disse à Lusa que houve buscas na distrital de Lisboa e nas juntas de freguesia de Santo António, Estrela e Areeiro. Segundo a mesma fonte, estão em investigação alegados "favorecimentos a militantes" do partido, "através de ajustes diretos", para a contratação de pessoal e a adjudicação de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos do partido.

O presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado (PSD), disse à Lusa, pelas 12:00, que não tinha chegado nenhum inspetor da PJ à autarquia.

A Junta de Freguesia do Areeiro confirmou a ocorrência de buscas e ainda não foi possível obter informação da Junta de Freguesia da Estrela.

Entretanto, as juntas de freguesia do Parque das Nações e de Alvalade, indicadas pela Sábado como abrangidas na operação, confirmaram a existência de buscas.

"Não foi, na sequência dessas buscas, constituído qualquer arguido. A Junta de Freguesia de Alvalade manteve, desde o primeiro momento, uma atitude de total cooperação com as autoridades competentes, tendo naturalmente facultado o acesso a toda a informação e documentação requeridas pela Polícia Judiciária", afirma a Junta de Freguesia de Alvalade, em resposta a questões colocadas pela Lusa.