Médicos de famílias temem que 20% das vagas fiquem desertas

Faltam 530 médicos de família e há 923 utentes sem clínico. Concurso para novos médicos com 291 vagas

Ana Maia
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O Ministério das Finanças já assinou o despacho a autorizar o concurso para a colocação de novos médicos de família. Terão sido autorizadas 291 vagas. O processo deveria ter acontecido em junho mas atrasou-se por motivos burocráticos. O presidente da Associação Nacional de Medicina Geral e Familiar teme que 20% das vagas fiquem por preencher.

A garantia que o despacho será publicado em breve em Diário da República foi dada aos sindicatos médicos, na sexta-feira, pelo Governo. O atraso no concurso, que terá 291 vagas, está a ter já efeitos negativos: mais de 923 mil utentes sem médico de família atribuído a 10 de agosto, data da última atualização no Portal do SNS. E faltam 530 clínicos.

Este poderá não ser o único efeito negativo. Rui Nogueira, presidente da Associação Nacional de Medicina Geral e Familiar, teme que uma parte dos 290 médicos, que terminou a especialidade em abril, já tenha encontrado outras alternativas. "Será difícil que todas as vagas sejam preenchidas. Seria bom se 80% das vagas fossem preenchidas. Esta espera acabou por ser um problema porque levou alguns colegas a procurar soluções alternativas e há médicos que se perderam para o SNS. A celeridade destes concursos é muito importante para não se perderem candidatos."

Mas há outra razão que Rui Nogueira aponta para que possa ficar uma percentagem tão elevada de vagas desertas: que aos novos médicos não seja dado tempo suficiente, após o lançamento do concurso, para se organizarem a mudar de região. Uma das soluções, aponta, seria a abertura de mais 10% de vagas para que existissem soluções que atraíssem o máximo de médicos. "Ainda não se conhece o mapa, mas haverá uma insistência maior na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde faltam mais médicos, que terá mais vagas que candidatos, enquanto nas outras regiões será ao contrário. Agora é importante que haja alguma compreensão e não se diga às pessoas que daqui a um mês têm de ir para outro sitio. Isso pode ser um desincentivo e ficarem vagas desertas. Há maridos, mulheres, as escolas das crianças. Não se muda uma vida num mês", alerta.

A reposição de 1900 para 1550 utentes por lista de médico de família, até ao final da legislatura como pedem os sindicatos, acabou por dominar a última reunião com o Governo. "Foi-nos dito pelo governo que não procederia a qualquer medida que tendesse para a redução faseada sem antes assegurarem que todos os utentes têm médico de família. O que fizemos foi mostrar, usando dados do próprio governo, é que em 2020 haverá 316 médicos de família sem emprego porque todos os portugueses estarão cobertos", disse Mário Jorge Neves, presidente da Federação Nacional dos Médicos.