Extrema-direita nas polícias alvo de investigação

Inspetora-Geral da Administração Interna admite que a presença de extrema-direita entre as forças de segurança é uma das suas preocupações.

Paula Sá
Margarida Blasco, inspetora-geral do IGAI© Steven Governo / Global Imagens

Em entrevista ao Público, sobre a possibilidade de infiltração da extrema-direita entre as polícias, Margarida Blasco diz não ter indicação que exista uma infiltração organizada, em forma de associação criminosa. Mas admite ter "queixas que são analisadas e investigadas". E revela que existem apenas 14 inspetores para 50 mil polícias.

Como o DN revelou em abril, a Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária também está muito atenta ao fenómeno do crescimento da extrema-direita em Portugal. Luís Neves, diretor daquela unidade, revelou vários casos sob investigação, como o do ataque a um restaurante em Loures, entre dois grupos rivais "Los Bandidos", que o ex-líder dos skinheads, Mário Machado, trouxe para o nosso país, e os "Hell Angels".

Margarida Blasco fala ainda dos casos de alegado racismo entre as polícias e afirma que o IGAI tem tomado medidas para evitar casos destes e de discriminação entre as forças de segurança. "Podemos compreender determinados fenómenos mas não pactuamos com eles. E queremos ir a fundo".

A inspetora-geral do IGAI referia-se ao caso que faz sentar no banco dos réus 17 polícias, acusados de racismo e de tortura contra jovens da Cova da Moura. E remete a pergunta "há racismo entre as forças de segurança?" para os próprios cidadãos.

Sobre os processos que o IGAI está a investigar sobre o desempenho da Autoridade Nacional de Proteção Civil nos incêndios do ano passado lembra que estão em "sigilo" e não avança qualquer data para a sua conclusão. Revela apenas que o serviço que tutela está a tentar perceber "o que falhou a nível das ações ou falta delas no terreno, que deveres funcionais deviam ter sido feitos. Se a atuação de cada um foi consentânea com o papel que lhe era exigido pela administração".