Marcelo vende Portugal na Suíça: "O melhor país do mundo"

Presidente mantém silêncio sobre OE. Empresas e centros de investigação na agenda

João Francisco Guerreiro

"Não se sente o gelo porque o calor humano criado pelos portugueses surpreende até os suíços." No meio da pista do pavilhão de hóquei no gelo, em Genebra, e perante algumas centenas de emigrantes, Marcelo Rebelo de Sousa revelou-se um Chefe do Estado "otimista" com o futuro de Portugal. "É o maior e melhor país do mundo", disse o Presidente da República, rematando a ideia de que não é "um país do passado" mas "do futuro".

Palavras que marcaram o início da viagem de três dias de Marcelo Rebelo de Sousa à Suíça, onde voltou a recusar falar do Orçamento do Estado para 2017. Um assunto que será inevitável abordar nas audiências de quinta e sexta-feira com os partidos com assento parlamentar. "Eu de três em três meses ouço os partidos e agora há uma razão muito importante para os ouvir, que é o Orçamento e, por outro lado, o fecho do ano civil - no fundo, já estamos a dois meses do fim do ano. É boa razão para os ouvir", afirmou.

Ontem, ao final da tarde, depois de aterrar em Genebra, Marcelo tinha encontro marcado com emigrantes portugueses, em Genebra. Juntaram-se cerca de duas mil para o ouvir. Ao som de ranchos folclóricos e de uma tuna portuguesa composta por emigrantes, o Presidente elogiou os portugueses e destacou a importância de uma das comunidades que "mais apoia a economia nacional". Depois destas palavras foi confrontado com a presença de duas dezenas de lesados do BES, que se queixam de ter sido "roubados", mas a quem prometeu apoio, embora sem "nada de concreto", de acordo com a porta-voz do grupo.

No programa desta deslocação à Suíça - a primeira de um Presidente português nos últimos 16 anos -, dividida entre Genebra e Berna, Marcelo visita empresas e centros de investigação. Nos encontros com o governo suíço, a educação, a economia e a relação com a Europa vão ser os temas fortes no diálogo entre os dois Estados.

"O objetivo da visita é intensificar ainda mais as boas e estreitas relações que existem entre a Suíça e Portugal, especialmente a nível humano e económico", refere o governo suíço em comunicado.

Nesta manhã, Marcelo é recebido pelo presidente da Confederação Helvética. Johann Schneider--Ammann já assumiu que a Suíça pretende intensificar as relações com Lisboa e "a cooperação sobre questões bilaterais, em particular nas áreas da formação e investigação", a par dos "assuntos económicos e internacionais" são os focos dos encontros em Genebra e em Berna.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, acompanham o Presidente.

O programa oficial começa com uma visita a dois centros de investigação. O Campus Biotech destaca-se por ser "um centro de excelência para a investigação em biotecnologia e ciências da vida" e o Human Brain Project propõe-se "aumentar o conhecimento nas áreas da neurociência, computação e medicina relacionada com o cérebro".

Marcelo segue depois viagem para Berna, onde, de acordo com o protocolo, vai ser recebido com honras militares e encontrar-se com membros do Parlamento suíço e com líderes do executivo para tratar dos temas da agenda.

Amanhã, o Presidente visita uma empresa tida como um exemplo daquilo a que os suíços chamam vocacional training, com o objetivo de dar destaque ao sistema de ensino que é opção de sete em cada dez alunos na Suíça. Esta via de ensino permite-lhes a partir dos 15 anos ter contacto com uma profissão, através de aulas práticas quase diárias, no próprio local de trabalho e com teoria em sala de aula uma ou duas vezes por semana.

Ainda amanhã, antes de regressar a Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa visitará o Museu Franz Gertsch, o artista suíço de 86 anos destacado na pintura hiper-realista