Marcelo "está a trabalhar". Promulgou quatro diplomas horas depois de cirurgia

"O gabinete é o quarto de hospital", disse Ferro Rodrigues após visita ao presidente, que passou noite tranquila e acordou bem disposto

Paula Freitas Ferreira
© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Marcelo Rebelo de Sousa foi operado esta quinta-feira a uma hérnia umbilical e está internado no hospital Curry Cabral, em Lisboa. Mas isso não o impediu de promulgar quatro diplomas, ainda durante o dia de ontem, horas depois de ter saído do bloco operatório.

O Presidente da República já recebeu visitas durante o dia de hoje. A primeira foi a de Francisco George, presidente da Cruz Vermelha, mas o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente também já visitou Marcelo, assim como o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que confirmou que "Marcelo Rebelo de Sousa está a trabalhar, só que o gabinete é o quarto de hospital".

António Costa, que visitou Marcelo na companhia do ministro da Saúde, Adalberto Campos Ferreira, disse que preferiu não falar de trabalho para não incomodar Marcelo Rebelo de Sousa.

"Não vim incomodar o Presidente com trabalho, vim desejar-lhe, naturalmente, as melhoras, inteirar-me do seu estado de saúde, falar como amigo, oferecer um bom livro de espionagem, que é sempre muito bom para recuperar e descansar nestes períodos pós-operatórios", afirmou António Costa aos jornalistas, que lhe perguntaram se tinha falado sobre as alterações à lei de financiamento dos partidos com Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre o regresso à agenda de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa respondeu: "Faz parte da natureza do próprio Presidente uma vontade indomável de estar sempre em ação. Felizmente, vamos rapidamente poder contar com o Presidente em pleno".

O chefe de Estado "está bem disposto", revelou Francisco George à RTP, esta sexta-feira de manhã, à saída do hospital Curry Cabral, onde se dirigiu para visitar "o amigo. O presidente da Cruz Vermelha não quis prestar mais declarações aos jornalistas, justificando que realizou a visita "a título particular".

"Aquilo que é mais urgente ser lido, ele lê. Aquilo que é mais urgente ser assinado, ele assina. Está a trabalhar, só que o gabinete dele agora é ali, naquele quarto", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues aos jornalistas depois da visita.

Ferro Rodrigues sublinhou que "não fazia sentido" ter substituído o Presidente, enquanto segunda figura do Estado, dada a ausência de gravidade do estado de saúde de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Não fazia sentido. Isto é um bocadinho mais grave do que ir ao dentista, mas não é muito mais grave", declarou.

O presidente do Parlamento disse ter encontrado Marcelo Rebelo de Sousa "muito bem informado", "bem disposto" e "com sentido de humor", frisando que está "no pleno gozo das suas obrigações como Presidente da República".

Ferro Rodrigues referiu também que o Presidente "está muito bem entregue a dois médicos de exceção", Eduardo Barroso e Daniel Matos.

"Estou convicto que rapidamente estará cá fora, junto dos seus e aproveitei para lhe desejar um grande ano de 2018, que, sendo bom para ele, será bom para todos os portugueses", acrescentou.

A boa disposição do Presidente consta também do boletim clínico emitido hoje e publicado no 'site' da Presidência da República. Assinado pelo cirurgião Eduardo Barroso, refere que Marcelo "passou uma noite tranquila e acordou muito bem disposto com os parâmetros vitais completamente normais". O mesmo documento avança que o "pós-operatório está a decorrer sem problemas, prevendo-se que possa ter alta antes da passagem de ano".

A alta dependerá, ainda segundo o boletim clínico, "da evolução do pós-operatório".

De acordo com o site da Presidência da República, "o Presidente da República promulgou ontem à noite os diplomas do Governo, como o que "reclassifica como Monumento Nacional o conjunto denominado "Palace Hotel do Buçaco (...) e o Convento de Santa Cruz do Buçaco", o que "classifica como Monumento Nacional a Paisagem Cultural do Sistelo", "aprova o Acordo entre a República Portuguesa e a República Francesa sobre a Assistência e a Cooperação no Domínio da Proteção Civil" e "aprova um regime de contratação de doutorados destinado a estimular o emprego científico e tecnológico em todas as áreas do conhecimento".

Em conferência de imprensa no hospital Curry Cabral, na quinta-feira, o cirurgião Eduardo Barroso, que operou Marcelo Rebelo de Sousa, explicou que o chefe de Estado ficará internado dois após a "cirurgia simples" a que foi submetido.

Segundo Barroso, a intervenção estava prevista para o dia 4 de janeiro e deveria ter sido feita em ambulatório, mas o médico da presidência, Daniel Matos, avaliou esta manhã o presidente e considerou que a hérnia precisava de tratamento urgente "porque encarcerou", explicou Eduardo Barroso. A cirurgia correu bem, garantiu o cirurgião, explicando que foi necessária uma pequena recessão do intestino dado o encarceramento da hérnia umbilical.

O presidente foi operado pelas 14h00 e a intervenção levou cerca de hora e meia. Eduardo Barroso referiu ainda que um doente nesta situação - e Marcelo é um "doente igual aos outros", sublinhou - deverá ficar internado 48 horas. "Se ele quiser ir para casa mais cedo, se calhar vou vê-lo a casa", admitiu. Questionado pelos jornalistas se Marcelo estará em condições físicas e clínicas de dirigir aos portugueses uma mensagem de Ano Novo, o médico respondeu sem hesitar: "com certeza".

O médico da Presidência, Daniel Matos, acrescentou que não há nenhum impedimento para que Marcelo Rebelo de Sousa possa fazer a vida normal "a curto prazo".