Marcelo lembra "palavra poderosa e sentida" do povo a Mário Soares: "Obrigado"

Principais figuras do Estado homenagearam Mário Soares no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, um ano após a sua morte.

Manuel Carlos Freire
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (2-D), acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa (E), e pelo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (2-E), durante a visita à exposição "A cerimónia do adeus - o funeral de Estado visto pelos fotógrafos", na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério dos Prazeres (patente até dia 10 de junho), no âmbito da cerimónia de tributo ao antigo Presidente da República, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, 07 de janeiro de 2018. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA© Manuel de Almeida/Lusa

O Presidente da República considerou este domingo que "Mário Soares continua vivo" e evocou a "palavra muito simples, poderosa, sentida", com que o povo português lhe agradeceu no dia da sua morte, há um ano: "Obrigado."

"Obrigado por ter sido quem foi e ter dado o que deu" a Portugal, nomeadamente ter fechado um "ciclo decisivo" da história nacional que foi a passagem da ditadura para a democracia, realçou o Chefe do Estado, numa cerimónia na capela do cemitério dos Prazeres e em que participaram o presidente do Parlamento, o primeiro-ministro, o presidente da Câmara de Lisboa e os filhos Isabel e João Soares, além de dezenas de amigos, admiradores e outros familiares.

Tanto "o homem" que foi Mário Soares como "o seu testemunho", continuou Marcelo Rebelo de Sousa, "continuam vivos" um ano depois, desde logo a sua figura "de cabeça erguida, sorriso confiante e peito feito ao vento".

O primeiro-ministro, António Costa, sublinhou, por sua vez: "A nossa mais justa homenagem a Mário Soares é continuarmos o seu combate por um Portugal melhor."

"Sempre que lutamos por um Portugal mais desenvolvido e mais justo, homenageamos Mário Soares", adiantou António Costa, acrescentando: "Sempre que promovemos a liberdade e a cultura, homenageamos Mário Soares. Sempre que nos batemos por uma Europa mais solidária, homenageamos Mário Soares."

João Soares, outro dos oradores, lembrou a "inolvidável despedida" que representou a cerimónia fúnebre de há ano, a qual é tema de uma exposição, que foi inaugurada momentos depois, com 49 fotografias de 49 fotógrafos - e é já considerada como o modelo a seguir em futuros funerais de Estado.

Mário Soares, sublinhou ainda o filho, "mereceu ser o primeiro primeiro-ministro" depois de realizadas as primeiras eleições livres do pós-25 de Abril, "mereceu ser o primeiro civil eleito" como Presidente da República e também "mereceu ter o primeiro funeral de Estado no Portugal democrático".