Lisboa investe 100 milhões para apoio aos idosos

Câmara e Santa Casa apresentam hoje programa social que prevê a construção de oito casas para lar e cuidados continuados

Ana Bela Ferreira
Oliveira de Azemeis, 17/11/2017 - Cadela visita idosos em casa durante o apoio domiciliário da Associação de Melhoramento Pro-Outeiro. (Artur Machado / Global Imagens)© Artur Machado/Global Imagens

Lisboa vai lançar "o maior e mais ambicioso programa" social para apoiar a população idosa da cidade, "garantindo uma moderna rede de cuidados", descreve o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medina. O programa construído pela autarquia e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) prevê um investimento de mais de 100 milhões de euros, em respostas a executar nos próximos oito anos, altura em que a pirâmide etária da cidade já vai estar mais inclinada para o lado dos idosos. Entre as respostas sociais que vão ser criadas está a construção, até 2021 de oito equipamentos com valência de lar de idosos e cuidados continuados, segundo a apresentação a que o DN teve acesso.

Só esta valência - que vai ter espaços espalhados pela cidade (ver infografia) - vai permitir criar mil vagas para acolher os lisboetas mais idosos. Está previsto um investimento de 50 milhões de euros por ano, até 2021. Além das valências para a vida apoiada, o programa prevê também medidas de apoio aos idosos que vivem nas suas casas sozinhos ou apoiados por cuidadores informais.

A autarquia refere que o objetivo é "assumir a responsabilidade social" da cidade, "de forma integrada, aberta e próxima à população" com mais de 65 anos, que já representa um quarto dos lisboetas. Ou seja, mais 130 mil pessoas nesta faixa etária. Dos quais, 85 mil vivem sozinhos ou com pessoas da mesma faixa etária. Uma população que se concentra especialmente na coroa norte - Ajuda, Belém, Campolide, Carnide, Benfica, São Domingos de Benfica, Lumiar, Santa Clara e Olivais - e depois em alguns núcleos, como Arroios.

"Uma cidade de todas as idades", prevê, por isso, o apoio à vida independente desta população, em segurança e condições de conforto. Daí que um dos primeiros passos seja a identificação de uma população de cerca de 30 mil idosos que estão particularmente vulneráveis, pensando num apoio que permita criar uma rede de informação para uma ajuda mais próxima e direcionada, com a criação de um CLIC (Centro Local de Informação e Comunicação).

O programa inclui a promessa de adaptação do espaço público, dos transportes e construções às necessidades de todos os cidadãos. Uma das adaptações é, por exemplo, o piso especial de resistência a quedas que já existe em alguns espaços públicos da cidade. Também está inscrito no programa requalificar e diversificar as respostas sociais que promovem a autonomia. Mais concretamente, a criação de um serviço de teleassistência, com o objetivo de chegar a seis mil idosos. Um investimento de seis milhões de euros, previsto para os próximos três anos.

Adaptar 500 casas

No mesmo sentido, o programa tem cinco milhões de euros por ano para adaptar 500 habitações que garantam a segurança e autonomia dos mais idosos. Está também prevista a criação de um serviço de apoio a 6000 cuidadores informais, até 2021, com um investimento de 250 mil euros/ano.

As entidades promotoras deste programa querem ainda incentivar a interação entre gerações e têm como objetivo requalificar 21 centros de dia da SCML, com vista a que estes equipamentos sejam abertos à comunidade. Passarão a chamar-se espaços InterAge e é uma das iniciativas com o prazo mais dilatado para ser concretizado: até 2026.

Além de infraestruturas, este apoio à terceira idade vai traduzir-se também em requalificação e contratação de pessoal. Nomeadamente no serviço de apoio domiciliário, onde o objetivo é ter mil lugares e um referencial de formação. Alargando desta forma o serviço, mas também qualificando os profissionais que o fazem.

A compra de equipamentos e reabilitação de imóveis nas entidades da rede social vão ser apoiadas pela criação de um fundo com cinco milhões de euros. Muito deste fundo será usado provavelmente para concretizar as ideias e necessidades que os parceiros vão apresentar.

Hoje e anualmente será lançado esse desafio a quem está no terreno e às populações para as quais estas medidas se aplicam. Elas dirão que mudanças precisam de fazer nos seus serviços ou instalações para melhorar a resposta social que desenvolvem. Pode ser adaptar uma cozinha a pessoas com menos mobilidade ou a compra de um transporte.

Todos estes investimentos vão no sentido de "implementar respostas integradas" e de "proximidade com todos os agentes que trabalham com e para a população com mais de 65 anos". Para garantir que a oferta de respostas é adequadas à população, o programa prevê ainda "aprofundar o conhecimento sobre as necessidades de intervenção local face ao fenómeno do envelhecimento".

Lisboa conta com este plano de ação estar a preparar-se para a população mais envelhecida, sendo uma cidade amiga de todas as idades. O modelo de ação vai incluir todas as instituições que trabalham com esta população: além da Câmara e da Santa Casa, vão ser incluídas a Segurança Social e a Administração Regional de Saúde. Já que vai ser importante saber por exemplo, se um idoso está internado, se tem alta e se a casa para onde vai regressar está adaptada às suas necessidades, por exemplo, de mobilidade.